José Inácio de Mello
Souza:
Paulo Emílio no Paraíso
Record
504 páginas
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PAULO EMÍLIO NO PARAÍSO é a biografia definitiva de
Paulo Emílio Salles Gomes, o maior crítico de cinema brasileiro,
cuja trajetória intelectual é uma das mais respeitadas do
país. Integrante de uma memorável e culta geração,
Paulo Emílio marcou de forma notável todos os que o conheceram,
por sua escrita extraordinária que encanta e esclarece ao mesmo
tempo e por sua presença.
A biografia escrita por José Inácio de Mello Souza começa
pela análise do Paulo Emílio adulto nas atividades políticas
e intelectuais e numa primeira parte, o autor revela como a política
conduziu o jovem Paulo Emílio à prisão e, dela, para
um auto-exílio na França.
Com o início da II Guerra Mundial, retornou ao país, fazendo
parte da geração que em 1941 fundou a revista de cultura Clima.
Paulo Emílio, ao lado de jovens intelectuais como Décio de
Almeida Prado e Antonio Candido, foi peça chave na concepção
da revista assim como, anteriormente, na fundação do Clube
de Cinema, levando para a faculdade de filosofia a melhor tradição
do cineclubismo. Através da Clima, fez valer seu maior empenho e
experiência no debate político, orientando pontos de vista,
além de escrever seus artigos sobre cinema, contribuindo para ampliar
o leque de intervenções e estudos que deu especial relevo à
Clima dentro da crítica brasileira, na literatura, no teatro, nas
artes plásticas e no cinema.
A partir de 1946, passou dez anos na Europa, sobretudo na França,
ligando-se a intelectuais de esquerda, aprofundando seus estudos de cinema
e tornando-se a ponte entre uma cultura cinematográfica nacional em
formação e as fontes européias. Em 1956, Paulo Emílio
volta ao Brasil consciente de que a presença de um arquivo de filmes
era primordial para levar os estudos do cinema no Brasil a um novo patamar,
viabilizando pesquisas e a constituição de uma memória
nacional. Assim, juntamente com amigos militantes na crítica, como
Almeida Salles e Antonio Candido, funda a Cinemateca Brasileira. Na mesma
época, publica, ainda, um livro sobre Jean Vigo, fruto de suas pesquisas
na Europa.
O esforço de Paulo Emílio para a valorização
do cinema nacional se consolida definitivamente quando seu trabalho ganha
lugar na universidade e com isso, o que se esboçara no Clube de Cinema
se torna realidade. Em 1964 participa da criação do curso de
cinema da Universidade de Brasília e em 1966, Antonio Candido o convida
para orientar teses na USP, onde começa a lecionar história
do cinema em 1968, demonstrando claro apoio aos diretores do Cinema Novo.
A elevação do cinema a uma condição intelectual
evidente nos ensaios publicados na época, primeiro em Clima, depois
no jornal O Estado de São Paulo; a pesquisa sobre o cineasta francês
Jean Vigo; a organização de manifestações
cinematográficas e a sustentação da idéia da
necessidade de conservação dos filmes pelos arquivos, trouxe
um novo padrão de ação e pensamento, igualando o país
ao que se fazia nos países ditos de primeiro mundo.
Entre outras coisas, em PAULO EMÍLIO NO PARAÍSO, o autor procurou
esclarecer uma faceta há muito soterrada e desprezada nos anos finais
de Paulo Emílio, quando a figura do professor de cinema brasileiro
negava, com um certo charme, o engajamento político real e permanente,
desprezando o passado pioneiro de crítica ao stalinismo. Dentre os
integrantes da Clima certamente Paulo Emílio era o mais capacitado
a enfrentar uma carreira política. No entanto, abandonou tal
vocação, alterando um destino que seria quase natural diante
de seu potencial intelectual, de seu carisma puro e simples, voz poderosa,
pensamentos claros e presença física marcante.
Paulo Emílio morreu em 1977, deixando uma obra central sobre o cinema
brasileiro: »Cinema: Trajetória no subdesenvolvimento« e
um livro de ficção »As três mulheres de três
PPPs«. Desde sempre, era evidente em Paulo Emílio sua
perspicácia, sua visão totalizante que lhe permitiu pensar
o cinema dentro da cultura e inserir a reflexão sobre a imagem nas
questões maiores do século. A pesquisa cinematográfica
no Brasil e o próprio cinema nacional devem muito a Paulo Emílio
e ao seu conhecimento, sensibilidade política e rara personalidade,
capazes de transformar sonhos em realidades.
(informação da editora) |