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Martins Fontes lança 3 novos volumes na
Coleção »Dramaturgos do Brasil«

Aluísio Azevedo e Emílio Rouède

O Naturalismo no Brasil teve em Aluísio Azevedo o seu autor mais representativo. Romances como O mulato, Casa de pensão e O cortiço consagraram o nome do escritor e ainda hoje são lidos com interesse e prazer. O que muitos desconhecem é que Aluísio foi também um dramaturgo de prestígio, autor de várias peças, algumas escritas em parceria com o irmão Artur o com o pintor e amigo Emílio Rouède. Duas peças dessa última parceria, jamais antes publicadas, estão reunidas neste volume, Lição para maridos é uma comédia de costumes com enredo bem arquitetado e personagens engraçadas, a ação girando em torno de um marido que abandona a esposa, cansado da rotina conjugal. Já O caboclo é um drama com traços naturalistas, centrado na figura de um homem simples que, traído pela esposa, age segundo o seu temperamento violento. Ressalte-se que essa peça foi uma das raras tentavias dramáticas ligadas ao Naturalismo no Brasil. Daí sua importância para a história do teatro brasileiro, que deve, a partir de agora, reservar um lugar de destaque para Aluísio e Rouède.

Álvares de Azevedo

Álvares de Azevedo foi o escritor mais ousado e original do romantismo brasileiro. Ao contrário de muitos dos seus contemporâneos, que fizeram do nacionalismo literário uma bandeira de luta, ele trilhou um caminho próprio, afastando-se da nossa paisagem e mergulhando nas águas profundas da literatura de um Byron, de um Goethe, de um Hoffmann, para buscar modelos que lhe permitissem falar das dissonâncias da alma humana. Nos textos reunidos neste volume, o leitor conhecerá um escritos que nada tem a ver com o bom-mocismo romântico. Em Macário, o personagem que dá título ao livro é um jovem cético, cínico e melancólico. Satã é seu companheiro de jornadas e orgias. E sua curta existência é marcada pela busca desenfreada de prazeres. Em Noite na taverna, cinco rapazes embriagados narram suas histórias incomuns, lembrando experiências de vida assustadoras, recheadas de crimes, incestos, fraticídios, necrofilia e antropofagia.

João do Rio

A reunião dos textos teatrais de João do Rio procura fazer justiça ao escritor, que há muito merecia ter seu trabalho de dramaturgo reeditado. No jornalismo, desde cedo, João do Rio mostrou-se interessado pela vida teatral da cidade do Rio de Janeiro. Ele empenhou-se na renovação da dramaturgia brasileira e foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT). As peças aqui agrupadas, ainda hoje, revelam-se surpreendentemente atuais e cheias de vivacidade. O conjunto oferece um panorama da sociedade carioca no início do século XX, com as práticas, pensamentos e mazelas que servem ao autor em seu exame moral dos contemporâneos. João do Rio combina personagens fictícios com figuras reais, aproveitando de maneira hábil os efeitos do palco, além de mostrar-se um fino observador da psicologia feminina. É com certa dose de ousadia que ele testa os limites da paixão e interroga as convenções sociais. A nossa dramaturgia da Belle Époque encontrou nele representante singular, que procurou reproduzir no dinamismo dos textos o jogo de máscaras sociais.

(informação da editora)

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