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Max de Castro – Inovação e Suingue à toda prova

max de castroDarmstadt, Alemanha- A Trama realizou em outubro uma turnê pela Europa com alguns de seus músicos mais poderosos, em termos da política interna da gravadora, dando o primeiro passo numa investida que pretende consolidar um espaço para os seus artistas no disputadíssimo mercado fonográfico continental. Para isso, o selo paulistano já contava inclusive com uma representante das mais competentes instalada estrategicamente em Berlim - a carioca Cristina Ruiz Kellersmann -, que vive na cidade que foi uma das três escalas da passagem da trupe pela Alemanha (os outros países foram a Holanda, Portugal, Áustria e França). Se o compositor, cantor e percussionista Otto não veio desta vez, por ser figura obviamente distoante do quinteto samba-soul apresentado pelo projeto The New Samba Revue, que trouxe Wilson Simoninha, Jair Oliveira, Max de Castro, Patrícia Marx e o DJ Mad Zoo, sua ausência só endossa ainda mais a necessidade dele dar as caras por aqui. E dentre os músicos que vieram se apresentar por 22 palcos da Europa, Max de Castro é indiscutivelmente quem mais merece a atenção e os sempre custosos caprichos da gravadora.
A turnê européia dos cinco vai render um DVD a ser lançado em breve, depois de duas apresentações deles em novembro na Marina da Glória, Rio de Janeiro, e no DirecTV Hall, em São Paulo. Cabe aqui no entanto uma pergunta: até quando seguirão atrelando o ótimo Max de Castro a Simoninha, Jair, Patrícia e Mad Zoo? Quem tem acompanhado os trabalhos destes artistas sabe da enorme disparidade qualitativa entre Max e os outros. Como talentosíssimo arranjador que é e compositor cada vez mais afiado, Maximiliano Simonal Pugliese de Castro conseguiu emplacar um segundo disco muito, mas muito melhor do que o seu trabalho de estréia, o bom Samba Raro de 1999. Se o primeiro disco solo dele o levou a conquistar o prêmio de revelação do ano de 2000 da prestigiada APCA- Associação Paulista de Críticos de Arte, o recente Orquestra Klaxon mereceria a sonhada consagração popular, fossem outros os nossos meios de comunicação tão vulgarizados.

»Com sons orquestrais que lembram trilhas-sonoras dos anos 70 e mesclando drum and bass com melodias levemente kitsch da bossa nova, Max desenvolve uma sonoridade capaz de deixar um respeitado crítico de música pirado«, elogiou o alemão Thorsten Bednarz nas páginas da revista Jazzthetik. A razão não é para menos: as dozes faixas do Orquestra Klaxon, que teve produção e arranjos quase que exclusivos do próprio Max, ele, que também assina todas as composições ora só, ora muito bem acompanhado, são a confirmação definitiva do quanto o artista ainda há de brilhar em sua carreira de aficcionado homem de estúdio.

A música que mais impressiona é Calaram a Voz do Nosso Amor, um samba cheio de suingue levado à maneira daquele Jorge Ben do começo que ninguém esquece. É claro que Max de Castro é outro que não abre mão dos sábios e intuitivos ensinamentos do véio Babulina, que pairam também sobre a interessantíssima parceria de Max e Erasmo Carlos (!!!), A História da Morena Nua que Abalou as Estruturas do Esplendor do Carnaval. É nela que está o verso "e a galera ensandecida queria mais" inspirado pela Fio/Filho Maravilha, do Ben. Tanto letra quanto música colam na mais perfeita sintonia, contando com destreza sobre os transtornos causados a uma escola de samba pela beleza suntuosa de uma de suas passistas. Mas há outros parceiros no disco não menos nobres como Marcelo Yuka, co-autor da bela e cadenciada Os Óculos Escuros de Cartola, ou o Seu Jorge que também assinou O Nego do Cabelo Bom, que versa sobre o preconceito racial velado no Brasil. Nelson Motta com Sonho de Verão e o mundo-livre Fred 04 em Linha do Tempo também se fazem presentes, com composições oportunamente integradas ao conceito do disco. Nelson, por sinal, continua engajado nas parcerias com Max de Castro, depois de ter lançado o curioso romance policial O Canto da Sereia.

De participações especiais o Orquestra Klaxon também se faz bem representado. Só na faixa O Nego do Cabelo Bom há desde a vigorosa cantora Paula Lima, do Funk Como Le Gusta - que teve seu fera álbum de estréia produzido por Max -, mais Wilson das Neves na bateria, J.T.Meirelles soprando no sax alto e Sérgio Carvalho no piano fender. Idéia boa foi Max de Castro ter incluído também algumas faixas instrumentais que funcionam como vinhetas que sobem com a temperatura do disco.

Agora é esperar que a Trama consiga bons resultados no licenciamento de seus CDs e DVDs junto às gravadoras européias, quem sabe trazendo também para o ano que vem outros nomes de seu bom escrete, já que o selo ficou ainda mais vitaminado com a entrada de Ed Motta, Nação Zumbi e o aparecimento da elogiada Fernanda Porto. A mudança de governo no Brasil também promete bons frutos em muitas áreas, e ao que tudo indica, a cultura e a educação contarão com atenção especial do querido Lula. Que assim seja.

Felipe Tadeu
brasilkult@aol.com

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Felipe Tadeu

Felipe Tadeu, 39,
é jornalista especializado em música brasileira e produtor
do programa radiofônico Radar Brasil (Rádio Darmstadt). Radicado na Alemanha
desde 91, o autor é também conhecido como DJ Fila.
email: brasilkult@aol.com


edições anteriores:

»fogo encantado«


»Lula Queiroga«
»solo para Pina Bausch«
»Suzana Salles«
»John Lennon«
»Ângela Rô Rô«
»Flavia Virginia«

»o rappa«












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