Neste seu romance de estréia, Paulo Lins faz um painel das
transformações sociais pelas quais passou o conjunto habitacional
Cidade de Deus: da pequena criminalidade dos anos 60 à
situação de violência generalizada e de domínio
do tráfico de drogas dos anos 90. Para redefinir a situação
do lugar onde cresceu, Lins usa o termo "neofavela", em oposição
à favela antiga, aquela das rodas de samba e da malandragem
romântica.
O livro se baseia em fatos reais. Grande parte do material utilizado para
escrevê-lo foi coletado durante os oito anos (entre 1986 e 1993) em
que o autor trabalhou como assessor de pesquisas antropológicas sobre
a criminalidade e as classes populares do Rio de Janeiro.
Cidade de Deus foi saudado como uma das maiores obras da literatura brasileira
contemporânea. Um dos principais críticos do país, Roberto
Schwarz observou a capacidade do autor de transpor para a literatura uma
situação social deteriorada, aliando em sua narrativa a agilidade
da ação cinematográfica e o lirismo da poesia. Segundo
Schwarz, »o interesse explosivo do assunto, o tamanho da empresa, a
sua dificuldade, o ponto de vista interno e diferente, tudo contribuiu para
a aventura artística fora do comum«.
(informação da editora) |