»Se nada fizermos para regulamentar a ordem internacional, no sentido
da paz, da justiça e do direito - revigorando a ONU e recusando o
'directório dos países ricos', criado com que legitimidade?
Se não formos capazes de corrigir os atentados contra os equilíbrios
ecológicos do Planeta, que estão a pôr em risco a
biodiversidade e a própria sobrevivência da espécie humana?
Se não conseguirmos dar resposta - e de forma global - aos desafios
com que estamos confrontados, neste nosso novo século, que ultrapassam
obviamente os Estados nacionais e pressupõem uma consciência
ou uma cidadania global?«
Um Mundo Inquietante reúne um conjunto de artigos publicados
em jornais sobre variados temas actuais e polémicos como a
globalização, a cimeira da Terra, a convenção
europeia, a estratégia anti-terrorista, o 11 de Setembro, o regresso
dos Bush e do partido republicano, a guerra no Iraque e o anti-americanismo.
Mário Soares, advogado, historiador e político, nasceu em Lisboa
a 7 de Dezembro de 1924. Licenciou-se em Ciências
Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade
de Lisboa, em 1951, e em Direito na Faculdade de Direito da Universidade
de Lisboa, em 1957 .
Foi um activo resistente à ditadura, tendo sido julgado e preso (12
vezes) pela PIDE por delito de opinião. Foi deportado sem julgamento
para a ilha africana de S. Tomé em 1968 e esteve exilado em França
entre 1970 e 1974. Aderiu ao MUNAF (Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista)
em Maio de 1943, e foi fundador do MUD juvenil (Movimento de Unidade
Democrática) em 1946. Integrou a Comissão da Candidatura à
Presidência da República do General Norton de Matos em 1949
e do General Humberto Delgado em 1958. Foi membro da Resistência
Socialista, na década de SO, e fundador da Acção Socialista
Portuguesa em 1964 e do Partido Socialista Português (PS) em Bad
Münstereifel em 1973.
Foi dos primeiros exilados políticos a regressar a Portugal depois
da Revolução de Abril de 1974. Participou nos I, II e III Governos
Provisórios, como Ministro dos Negócios Estrangeiros, tendo
iniciado as negociações do processo de descolonização
e, no IV Governo Provisório, como Ministro sem Pasta. Foi Deputado
na Assembleia Constituinte em 1975 e participou em todas as legislaturas
até ser eleito Presidente da República em 1986.
Foi Primeiro-Ministro do II e do IV Governos Constitucionais (1976-78). Liderou
a Oposição, de 1978 a 1983, e foi nomeado de novo (1983-1985)
Primeiro-Ministro do IX Governo Constitucional. Iniciou as
negociações do processo de adesão à CEE em 1977,
que conduziram à assinatura do Tratado de Adesão em Junho de
1985. Em Janeiro de 1986, tornou-se o primeiro Presidente civil eleito
directamente pelo povo, na história portuguesa, tendo sido reeleito
em 1991 para um segundo e último mandato de cinco anos. Foi eleito
Deputado ao Parlamento Europeu em Junho de 1999.
(informação da editora) |