Este volume reúne as vinte e uma comunicações apresentadas
na secção de didáctica de PLE no âmbito do 4°
Congresso da Associação Alemã de Lusitanistas realizado
em Germersheim (Universidade de Mainz) de 11 a 14 de Setembro de 2001.
Dado que foi a primeira vez que a didáctica de PLE foi tematizada
nestes Encontros, foram aceites trabalhos das mais diferentes áreas,
com o intuito de fazer o ponto da situação e dá-lo a
conhecer a um público mais amplo. Por outro lado, estando conscientes
do fosso existente entre a prática de ensino da língua e a
investigação sobre a língua, os organizadores pretenderam
deste modo fomentar o diálogo entre investigadores universitários
e docentes da língua.
O volume abre com a comunicação do conferencista convidado
ao congresso, Luiz Antônio Marcuschi (Recife), que aborda aspectos
da oralidade descuidados, mas relevantes para o ensino/aprendizagem de PLE.
Ainda no mesmo âmbito da oralidade, Armindo José de Morais (Lisboa)
propõe um modelo de análise pragmático-discursiva de
enunciados narrativos em interacções orais autênticas
e analisa possíveis aplicações ao ensino/aprendizagem.
Os trabalhos seguintes focam aspectos relevantes da língua enquanto
sistema, embora não descuidando o aproveitamento didáctico.
Assim, Eberhard Gärtner (Leipzig) apresenta uma tipologia de
construções de infinitivo do Português e discute aspectos
de seu ensino a falantes do alemão. Karin Weise (Rostock), em sua
análise sobre Pretérito Perfeito Simples e Imperfeito, aborda
diferenças e equivalências entre o português e o alemão.
A comunicação de Thomas Johnen (Amiens) apresenta, igualmente
de modo contrastivo mas numa perspectiva semântico-pragmática,
o paradigma dos verbos modais. Partindo da dificuldade dos aprendentes
alemães em relação ao subjuntivo, Valdir Piranha (Bonn)
propõe um quadro de regras como tentativa de visualização
do emprego deste modo com vista à melhor compreensão do seu
funcionamento. Os artigos de Daniele Marcelle Grannier (Brasília)
e de Maria José Peres Herhuth (Heidelberg) / Nair Nagamine Sommer
(Suttgart) partem duma reflexão sobre o ensino comunicativo e,
afastando-se da abordagem tradicional, propõem um novo formato para
o trabalho com gramática, no último caso dentro de uma perspectiva
mais geral de task-based learning.
O problema que as duas grandes variantes do português (norma europeia
e norma brasileira) causam tanto a aprendentes quanto a professores de
português, especialmente os que têm o português como
língua materna, é o tema de Cornelia Döll (Leipzig).
O artigo de Nina Atsuko Mabuchi Miyaki (São Paulo) trata da
utilização de materiais da mídia no ensino. Principalmente
para os alunos que aprendem português em situação de
imersão, a mídia fornece um instrumento ideal para, dentro
de uma abordagem comunicativa intercultural, capacitar os aprendentes a interagir
com a enorme diversidade socio-linguístico-cultural existente no Brasil.
Noemia Hinata (Tokyo) leva-nos ao Japão, onde, descrevendo as dificuldades
de um brasileiro em cumprimentar um japonês, nos consciencializa para
os elementos da comunicação não-verbal e para a
importância da compreensão das diferenças interculturais.
Dois artigos dão prova da importância da internet também
no ensino de línguas estrangeiras. Jürgen Schmidt-Radefeldt
(Rostock), tendo em vista os estudantes de português língua
estrangeira nas universidades alemãs, analisa criticamente os vários
sites lusófonos e propõe a criação de um centro
virtual de investigação e documentação da cultura
luso-brasileira. Marisa Morita (São Paulo) aborda o papel da internet
na criação de uma nova situação de
ensino/aprendizagem em que o professor deixa de ser o transmissor de
informação e o aluno passa a ser responsável pela sua
aprendizagem. No entanto, segundo a autora, a enorme potencialidade da internet
ainda está sub-utilizada.
Elóide Kilp (Eichstätt) destaca alguns aspectos da sua tese de
doutoramento sobre o uso de jogos no ensino de línguas. Maria de Lourdes
Stiegler (Augsburg) fala da sua experiência de ensino, que reuniu num
opúsculo, baseada em receitas tradicionais da cozinha portuguesa e
que ela relaciona com lendas, motivando deste modo os alunos para a aprendizagem
da língua e, ao mesmo tempo, despertando o interesse deles para a
História de Portugal.
Hans Paschen (Stuttgart) reflecte sobre o tema da leitura de textos
literários e sobre os critérios de avaliação
de material para utilização em sala de aula. Beatriz de Medeiros
Silva (Freiburg) relata-nos uma sua experiência de ensino de literaturas
africanas em português num seminário que dirigiu na Universidade
de Freiburg.
Lutz Hoepner (Berlin) apresenta-nos o novo curso de tradutores e
intérpretes de português recentemente criado na Universidade
Humboldt de Berlim, enquanto Daniele Marcelle Grannier (Brasília)
nos dá a conhecer o novo curso de licenciatura em português
do Brasil como segunda língua, em funcionamento na Universidade de
Brasília desde 1998, comprovando a crescente maturidade do PLE como
nova disciplina.
Fechando o ciclo, Luís Antônio Marcuschi (Recife) dá
uma visão geral do estado da pesquisa sobre o português falado
no Brasil, abordando as diferentes orientações teóricas
e apresentando os projectos já realizados ou ainda em andamento dos
últimos vinte anos. Estes estudos já apresentam resultados
que se reflectem, por exemplo, na elaboração da nova
geração de livros didácticos ou dos parâmetros
curriculares nacionais.
Como contribuição extra-tema, os organizadores deste volume
incluiram uma proposta de simplificação e unificação
da ortografia da língua portuguesa da autoria de Luciano Caetano da
Rosa, apresentada em parte na secção e já posta em
divulgação na internet e publicada também em Lusorama,
49 (März 2002) 21-52, como anexo ao artigo »Português:
língua de um só rosto - língua da CPLP!«, do mesmo
autor.
(do prefácio) |