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Manuel João Ramos / Rui Zink:
Major Alverca
Dom Quixote
184 páginas |
Portugal anos 90. O país vive o regime do Dr. Aníbal Cavaco
Silva. Ainda se lembram? É deste ambiente que surge um herói:
Major Alverca. Major Alverca é ufanista, patriota, idiota, convencido
de si e do quinto império, e muitos dos seus textos, embora datados,
provocam até hoje, fazem nos lembrar de que os tempos se repetem.
Major Alverca está de volta. E o Cavaquismo?
Diz-s que o Major Alverca fora inventado por Manuel João Ramos e Rui
Zink por mera brincadeira. Assinava crónicas publicadas ao longo de
quatro anos (1991 a 1994) no semanário O Independente, e á
considerado hoje um catalisador da "Nova Banda Desenhada Portuguesa". Mas
de mera brincadeira, a crónica "foi-se transformando num projecto
satírico avassalador que, qual mancha de óleo, se alastrou
aos mais recônditos cantos da abjecção e do cliché
que maculam a relação dos poderes com a liberdade colectiva
e individual", diz Cátia Nunes, que em seu prefácio representa
a análise científica.
O Major Alverca contribuiu sobretudo para a fama de Rui Zink. A chamada má
língua. Bem haja! Da língua de Manuel João Ramos não
se sabe muito. Consta como professor de antropologia e especialista na área
e estudos etíopes, publicou banda desenhada e um volume de textos
sobre o massacre automobilista, intitulado Sinais de Trânsito,
e recentemente pubicou uns livros infantis - em parceiria com um tal Rui
Zink.
Não sei, se havia necessidade a reedição do Major Alverca.
Mas se houve, chegou à hora certa. Nem sei se há necessidade
para livros em geral, mas se a houver, sugiro a leitura deste volume
também. É prova de um humor - pronto, eis o vocábulo
terrível! - feroz e certeiro. E esclarece questões fundamentais,
como a de "Como nasce um herói", "Quem matou JFK" ou / e "Bambi",
"O nosso problema alemão", "O milagre económico albanês"
e afirma e faz do CCB um "Centro de Colhimento de Brasileiros" afirmando
que "O racismo nunca existiu." É incorreção política
a rigor a serviço da mais ardente sátira social.
Querem prova?:
"Todos os grandes regimes são grandes, não tanto pela grandeza
dos seus povos, se não pela grandeza dos seus monumentos. A própria
história no-los ensina: os egípcios são baixos, mas
têm pirâmides, que são altas. Os chineses são pequenos,
mas têm Tiannamen que é grande. Os franceses são lisos,
mas têm a água Perrier, que é gasosa. Os americanos ...
ora, enfim desses ninguém se lembrará daqui a 50 anos.
Se virmos bem, os portugueses são pequeninos, medíocres mesmo.
Os nossos governantes são vigaristas. Os descobrimentos foram uma
mentira. O fascismo nunca existiu.
Perguntar-me-ão então por que é que Portugal é
soberbo e o V Império é grande. E eu respoderei: Porque embora
ridículos, temos grandes monumentos (...) O Marquês de Pombal?
É grande porque está na Rotunda ..."
Ah, e "no momento e que portugal arrancava uma campanha alegre e compra de
automóveis en masse, os autores do Majora Alverca constituíram-se
como solitários profetas de desgraça alertando para o massacre
rodoviário português". (Cátia Nunes), motivo que mais
uma vez teve o seu regresso n' O Suplente, Romance de Rui Zink.
Convencido? Leiam-no!
(m) |
Todos os livros apresentados na novacultura estão
disponíveis na Alemanha através do TFM-Centro do Livro e do
Disco de Língua portuguesa:
http://www.TFM-online.de |
»O mundo enfrenta, hoje, a sua mais grave crise moral de sempre. Sorte
nossa, portugal possui reservas infinitas de espiritualidade e lucidez natural.
Olhamos o passado com orgulho. Enfrentamos o futuro com confiança.
Agora mais do que nunca, tenhamos a coragem de assumir o nosso destino. E
de clamar bem alto: O Quinto Império está próximo! A
solução final é nossa!
Este magnífico livro é um testemunho, uma bênção
para as gerações futuras.
Claro que os leitores de hoje excepto voçê, caro/a leitor/a
não o compreenderão. Não estão preparados.
Nunca estão. Até porquê o aspecto masi perturbador desta
obra se resume, afinal, a uma simples pergunta: o que pretende Major
Alverca? « |
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