september / setembro
2003 |
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Sérgio Godinho:
O irmão do meio
EMI / Valentim de Carvalho 2003 |
Sérgio Godinho ist einer derjenigen Kulturveteranen des sich im kommeden
Jahr zum 30. Mal jährenden 25. April, die immer noch auf der Suche nach
neuen künstlerischen Ufern sind und dabei eins aufs andere Mal
überraschen. Zuletzt begeisterte mich Domingos no mundo von 1997,
wo er recht kreativ auch mit elektronischer Instrumentierung experimentierte.
Nach einigen Live- und Best- of- Alben erschien nun seine inzwischen 23.
Platte O Irmão do Meio.
Wieder sind darauf leidlich bekannte, teilweise recht frühe Klassiker,
wie etwa »Balada da Rita«, »O galo é o dono dos ovos«
oder »Barnabé« zu hören. Das besondere jedoch sind
die InterpretInnen: Mit Teresa Salgueiro (von Madredeus), den Rockmusikern
Jorge Palma, Xutos e Pontapés und Clã,
Rappern wie Da Weasel oder dem in Portugal immer noch sehr populären
Gabriel o Pensador , portugiesischen Musikerpersönlichkeiten
wie David Fonseca, Vitorino, Rui Veloso, José
Mário Branco, den Fado-Sängern Carlos do Carmo und
Camané, den Gaiteiros de Lisboa, den MPB-Ikonen Caetano
Veloso und Milton Nascimento, dem Multitalent Zeca Baleiro
und Tito Paris, dem Altmeister der kapverdischen Musik, bringt
Sérgio Godinho seine musikalischen Aussagen in einen
zeitgemäßen, breit gefächerten lusophonen Zusammenhang und
zugleich in die politische, gesellschaftliche und künstlerische Wirklichkeit
des neuen Jahrtausends, wobei die Texte in der jeweiligen neuen Interpretation
entweder neue Aktualität gewinnen oder überraschende neue Aspekte
erkennen lassen.
Schade, dass sie nicht auf der CD abgedruckt sind, sondern erst aus dem Internet
(www.pflores.com/ sergiogodinho/discografia/irmaodomeio.php)
heruntergeladen werden müssen. Überhaupt könnte die CD etwas
besser dokumentiert sein. Schließlich handelt es sich bei allen Titeln
um Klassiker, und es wäre zusätzlich interessant zu wissen, aus
welchen Jahren Manifeste wie »Pode alguém ser quem não
é« (hier gesungen mit Teresa Salgueiro und ursprünglich
von Godinhos zweiter LP Pré Histórias von 1972), das
auf dieser CD von Da Weasel und Gabriel o Pensador machtvoll verrapte »Isto
anda tudo ligado« (Na Vida Real von 1986) oder der mit den
»Xutos« intonierte Rock-Hammer »Antes do poço da
Morte« (Canto da Boca, 1981) stammen. Kann man alles im Internet
herausbekommen, doch ein Booklet mit zusätzlichen historischen, vielleicht
gar biographischen Hintergrundinformationen wäre bei der insgesamt sehr
schön aufgemachten CD kein Luxus gewesen. Außerdem fehlt mit »O
primeiro dia« (von Pano Cru, 1978) eines meiner Lieblingslieder,
doch das hätten in dieser Konzeption höchstens Raul Seixas oder
Cássia Eller singen können, und die sind bekanntlich bereits
gestorben.
Dennoch ist die CD geeignet, aufmerksame Hörer endlich zu Sérgio
Godinho-Anhängern zu machen, und diejenigen, die seine Musik ohnehin
schon schätzen, wird auch dieses Konzeptalbum vom ersten bis zum letzten
Ton überraschen und begeistern.
(mk) |
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Eu tenho essa coisa de puto, que é achar que o presente se
digna sempre a vir ter connosco, sorrateira ou ruidosamente.
Fui ter então com uns quantos músicos, instrumentistas, cantores,
cantoras, e dei-lhes o que tinha a dar, as minhas canções como
pretendentes prometidas: casa-não-casa, no fundo convites honestos
à prática da bigamia.
Como a fome vai ao osso, o certo é que todos se deram valorosamente
à tarefa.
E nos breves encontros, trocamos muita informação, pintores
trocando tintas, criando, cada forma e cada cor, o seu fresco colectivo.
Seja dito que nada disto é definitivo.
Nunca vi qualquer canção como sendo prisioneira, ou de si mesmo
salvadora.
Ela raspa no chão, arranca e ataca, e logo se imobiliza: assim respira,
à espera de quem a ouça e a reconheça.
Não sou obrigado ao obrigado que vos devo: antes o faço com
o mais imenso prazer.
Vocês deram-se à tarefa, como a fome foi ao osso, como muito
duro osso se roeu, como a roupa se desprendeu e se colou ao corpo; e o que
tinha um ou dois sentidos passou a ter mais um ou dois. Letra na letra,
música na música, bigamias tanto passageiras como
sustentáveis, e o irmão do meio revolvendo feliz no turbilhão
da família em permanente resolução
(sergio godinho) |
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