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josé luís peixotoJosé Luís Peixoto:
Uma Casa na Escuridão


Temas e Debates 2002
251 páginas
No seu segundo romance, José Luís Peixoto, não nos deixa espaço para a esperança. Não existe esperança no mundo criado dentro deste livro. Uma Casa na Escuridão leva-nos numa viagem onde o amor, o medo, o horror e a morte são governantes do mundo. Em consciência assumo que vivi a fantasia do livro no momento imdeiatamente antes da escuridão: entre a eventualidade de lhe escapar e a certeza de lhe pertencer.

Não existe neste romance a dolência vivida em Nenhum Olhar, onde as paisagens se reflectiam perenes na imagem do romance; agora, a acção ocorre tanto no interior das personagens como na superfície das suas peles. A acção é marcada pelo horror. José Luís Peixoto não quis que sorrissemos ou que sonhassemos um possível sorriso, exige a cada palavra o medo: o medo que temos do mundo que se aproxima e abala o que consideramos ter como certo e garantido, exige-nos ainda a uma reflexão sobre o amor, o amor verdadeiro que temos ou ansiamos ter ou perdemos num instante absurdo.

Em Uma Casa na Escuridão existe um narrador: o escritor. O escritor descreve-nos pouco mais de um ano da sua existência, um ano passado no mundo mutante e que é pertença do mais forte, sendo o mais forte o vencedor natural. O escritor pode ser José Luís Peixoto vivendo, em parte, uma fantasia interpretativa das consequências geradas pela publicação de Nenhum Olhar. O escritor guia-nos por um trilho de conhecimento do amor, da sua impossibilidade e da dor que pode provocar.

José Luís Peixoto não nos concede tempo para respirar. Utiliza com maior frequência frases curtas e incisivas. A acção corre desesperada. No entanto, com destreza, revela-nos o percurso de distâncias físicas calmamente, quase em câmara lenta, quando antes nos fez ansiar por já estarmos no local no momento em que as personagens chegam.

A poesia de Uma Casa na Escuridão é atroz, de sofrimento continuado e exerce uma carga de tristeza imensa. Ainda assim, foram publicados poemas relacionados com este romance num corpo à parte, entitulado A Casa, a Escuridão.

A beleza da escrita de José Luís Peixoto desenvolve-se e cativa. A beleza deste livro merece uma transcrição cinematográfica, talvez Alejandro Amenábar leia e goste.

José Manuel F. dos Santos

Todos os livros e CDs apresentados na novacultura estão disponíveis na Alemanha através do TFM-Centro do Livro e do Disco de Língua portuguesa: http://www.TFM-online.de

José Luís Peixoto nasceu em 1974 em Galveias, concelho de Ponte de Sor. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, foi professor do ensino secundário e é colaborador regular de vários jornais e revistas.
Em 2000, publicou a ficção Morreste-me e, logo a seguir, o romance Nenhum Olhar, que fez agitar o panorama literário português e foi finalista dos prémios da APE e do PEN Clube, acabando por ganhar o Prémio José Saramago. O livro de poesia A Criança em Ruínas, lançado em 2001 e com edições sucessivas, constituiu um novo êxito de público e de crítica. Já em 2002 publicou Uma Casa na Escuridão e A Casa, a Escuridão, romance e poemas sobre o mesmo universo. A sua obra está já traduzida em várias línguas.

veja também:
www.joseluispeixoto.net


mais textos na novacultura:
Uma Casa na Escuridão
The Antidote
Antídoto


livros disponíveis:

Morreste-me. ed. Autor, 2000; Temas e Debates, 2001 (4ª edição, Outubro de 2002)

A Criança em Ruínas (poesia), Quasi, 2001.

Nenhum Olhar (romance). Temas e Debates, 2001 (5ª ed., Outubro 2002)

Uma Casa na Escuridão (romance). Temas e Debates, 2002.

A Casa, a Escuridão (poesia), Temas e Debates, 2002.

Antidoto, Temas e Debates, 2003


José Manuel F. dos Santos, nasceu em 1973, trabalha e escreve. Nunca publicou texto algum para além do texto vencedor no Prémio Barata 2001. A sua escrita (prosa e verso e reflexão) pode ler-se online em http://rainsong.weblog.com.pt/ na novacultura escreveu também sobre Daniel J. Skråmestø: Olhos de Cão.


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