| Desde 1995 que Mário de Carvalho não publicava
um romance. Nesse ano o autor publicou, como sempre na Caminho, Era Bom
que Trocássemos umas Ideias sobre o Assunto, e de então
para cá apenas publicou teatro e contos.
Mas a espera foi produtiva, como praticamente toda a crítica assinala:
Francisco José Viegas escreve, na «Grande Reportagem»:
«Mário de Carvalho escreveu um dos seus livros mais divertidos,
que é também um retrato impiedoso do país actual.
Felizmente, foi publicado antes de 31 de Dezembro, o que vem melhorar o panorama
literário.»
Pedro Mexia, no «Diário de Notícias», começa
por afirmar: «Valeu a pena esperar oito anos por um novo romance de
Mário de Carvalho. O sucessor de Era Bom que Trocássemos
umas Ideias sobre o Assunto (1995) chama-se Fantasia para Dois
coronéis e uma Piscina e foi provavelmente o melhor romance
português publicado em 2003.» E, depois de explorar extensamente
os diversos aspectos do livro, com uma empatia pelo texto pouco usual na
crítica literária «Nada, nestas 200 e tantas
páginas, é mau ou desinteressante» , Pedro Mexia
conclui: «Porque neste livro estamos sempre solidamente no domínio
do literário, mesmo se com uma espantosa atenção ao
mundo. Não me lembro de nenhum outro romance que mencione Petrónio
e o AKI. Coisa rara na ficção portuguesa, cada página
provoca o desejo da releitura: mas da releitura imediata, para saborear a
prosa, a graça e a inteligência. Este é um livro brilhante,
com momentos geniais. Portugal não tem uma dezena de escritores assim.
Por favor, estimem-nos.»
Por sua vez, António Guerreiro escreve no «Expresso»: «A
história dos dois coronéis faz-nos rir porque há nela
aspectos paródicos e há também uma acumulação
de elementos heteróclitos: o verosímil e o inverosímil,
o real e a fantasia, a anedota e a argumentação sábia,
a imitação de discursos e a pura virtuosidade verbal».
E conclui: «Se quisermos estabelecer a genealogia deste romance de
Mário de Carvalho temos de saltar por cima do século XIX, pôr
entre parênteses a experiência do romance moderno, e regressar
a um momento anterior de maior liberdade tanto na composição
como na inclusão de materiais narrativos. Esta Fantasia para Dois
coronéis e uma Piscina traz consigo, mesmo que de maneira remota,
o riso de Rabelais e a liberdade narrativa de Tristram Shandy, de Sterne.
Mantém, é certo, o recuo irónico próprio de quem
está sempre a colocar-se num plano de segundo grau, metanarrativo.
Mas esse é um dos componentes do "jogo" que, no seu apelo à
irrisão, lembra o latino preceito: ridendo castigat mores»
Fantasia para Dois coronéis e uma Piscina saiu a meio de Novembro
2003, com uma primeira tiragem de 10000 exemplares, que se encontra já
esgotado no armazém da Caminho. Já em Janeiro uma nova
edição chegará às livrarias.
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