| «Se faço as contas, vejo que foram apenas nove
noites. Mas foram como a vida toda.»
Em 2003, Bernardo Carvalho ganhou dois dos principais prémios
literários atribuídos no Brasil; o prémio da
Associação Paulista dos Críticos de Arte, na categoria
romance, com "Mongólia" e, a meias com Dalton Trevisan ("Pico na Veia")
o Prémio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, com o romance
"Nove Noites".
NOVE NOITES narra uma investigação, a 62 anos de distância,
sobre a misteriosa morte de um antropólogo americano, Buell Quain,
que se suicida após uma estada com os índios krahô, no
Brasil, quando subitamente regressava à civilização.
Não sabemos quem investiga, até porque ninguém nunca
lhe perguntou a razão da sua curiosidade. Há a desculpa de
querer escrever um livro, que vai adiantando para não levantar suspeitas.
Pela sua mão somos guiados por entrevistas com pessoas que privaram
com Quain, arquivos públicos, e memórias deixadas em cartas,
escritas pelo suicida antes de morrer, e por um seu amigo, com quem partilhou
nove noites de conversas e revelações.
São vários mistérios que se interligam, e adensam a
narrativa, em que o leitor partilha a claustrofobia e evasão de identidade
das personagens.
Bernardo Carvalho junta habilmente a realidade e a ficção,
o romance e a investigação que desenvolveu sobre os índios
e sobre o antropólogo. Como nos diz o próprio autor nos
agradecimentos «é uma combinação de memória
e imaginação, - como todo o romance, em maior ou menor grau,
de forma mais ou menos directa.» |