| Depois da vitória nas eleições de 2002
e a consagração mundial do seu projecto político em
Porto Alegre, Luiz Inácio da Silva, ou simplesmente Lula, é
reconhecido como o «novo homem» da esquerda sul-americana, uma
espécie de Che Guevara do terceiro milénio que se bate com
as armas da política para resgatar os direitos e os males sofridos
por milhões de brasileiros.
Neste rico, alegre, sensual e desesperado «continente» que é
o Brasil, 44 milhões de pessoas vivem com menos de um dólar
por dia. E, contudo, a terra do samba tem os recursos naturais, agrícolas
e energéticos para se tornar uma potência económica da
América do Sul, e Lula sabe-o. Sabe-o porque foi sindicalista,
confirmam-lho as suas amizades de Frei Betto,
jornalista-dominicano-teólogo da libertação, ao economista
Celso Furtado, passando pelo líder dos sem-terra, João Pedro
Stédile , mas, sobretudo, ensinaram-lho a vida de filho do povo
e as privações que este emigrado do Nordeste nunca esqueceu.
«Se no fim do meu mandato todos os brasileiros puderem comer três
vezes ao dia, eu terei cumprido a missão da minha vida». Este
homem é Lula. E é por isso que as pessoas gostam dele, que
o sentem um dos seus e não um burocrata ao serviço dos poderes
económicos.
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