| Neste volume reúnem-se duas personalidades importantes
da cultura portuguesa e angolana da segunda metade do século XX,
através das cartas que, entre 1942 e 1968, Maria Lamas redigiu ao
escritor angolano Eugénio Ferreira.
São documentos que não só demonstram a amizade pessoal
que uniu estas figuras, como testemunham uma época histórica.
A autora fala do seu incansável trabalho, do futuro de África,
particularmente de Angola, e das preocupações que a
situação do seu país suscitam em si e nos seus
contemporâneos.
«Muitos temporais têm passado por mim. Alguns tremendos. E deixaram
ruínas. Mas tenho conseguido posso dizê-lo sem receio
de exagerar renascer da minha própria angústia mais
desejosa ainda de dar, dar tudo quanto em mim caiba, para a renovação
do mundo.»
Maria Lamas nasceu em Torres Novas em 1893.
Aos 18 anos, foi viver paro Luanda acompanhando o seu marido. Aos 25 anos,
mãe de duas filhas, divorciou-se e regressou a Portugal, onde iniciou
a sua carreiro no jornalismo. A convite de Ferreiro de Castro, assumiu a
direcção da revista Modas & Bordados.
1945 marcou o início da sua actividade marcadamente política,
com a participação no MUD e a sua eleição para
Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. A sua actividade
social e política custou-lhe várias detenções
em 1962, acabando por determinar a sua opção pelo exílio
em Paris durante sete anos. Morreu em Lisboa aos 90 anos.
Dentre os vários livros que publicou, As Mulheres do Meu
País foi o titulo mais importante e mantém-se ainda hoje
como um marco fundamental da cultura do século XX português. |