José Saramago:
Ensaio sobre a Lucidez
Caminho
330 páginas
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Tudo o que se sabia do novo romance de José Saramago,
até ao dia de seu lançamento, era, que este seria um livro
político, com potencial de desencadear uma grande polêmica.
Acompanhado pela notícia de que o autor integrará a lista de
candidatos da CDU às próximas eleições para o
Parlamento Europeu, isto resultou, pelo menos, num marketing perfeito.
O livro chegou às livrarias simultaneamente no Brasil e em Portugal,
um mês antes do trigésimo aniversário da
revolução de Abril. Outra coincidência que não
parece totalmente despropositada. E pela sinopse do romance, que as editoras
(Caminho, em Portugal e Companhia das Letras, no Brasil) liberaram no dia
25 de Março, o livro promete muito:
«Num país indeterminado decorre, com toda a normalidade, um processo
eleitoral. No final do dia, contados os votos, verifica-se que na capital
cerca de 70% dos eleitores votaram branco. Repetidas as eleições
no domingo seguinte, o número de votos brancos ultrapassa os 80%.»
Uma das piores hipóteses para cada sistema que se diz democrático,
a rejeição total de todas as propostas eleitorais, é
ponto da partida para uma especulação sobre o sistema
político, o seu caráter democrático ou antidemocratico,
a cegueira do povo - ou a sua repentina lucidez. Uma esperança?
Quem conhece a obra de José Saramago saberá que o romance de
certeza não oferecerá respostas óbvias ou fáceis,
embora que as reacções das autoridades nesta situação
romanesca sejam absolutamente previsíveis: Em vez de se interrogar
sobre os motivos que terão os eleitores para votar branco, o governo
decide desencadear uma vasta operação policial para descobrir
qual o foco infeccioso que está a minar a sua base política
e eliminá-lo.
Afirma-se por parte das editoras:
«Ensaio sobre a Lucidez, constitui uma representação
realista e dramática da grande questão das democracias no mundo
de hoje: serão elas verdadeiramente democráticas?
Representarão nelas os cidadãos, os eleitores, um papel real,
e não apenas meramente formal?»
«Se Ensaio sobre a Lucidez não causar polémica
é porque a sociedade dorme», diz Saramago segundo numa entrevista
à
RTP.
Pelo menos a atenção pública que o romance já
teve, dá razão a certo optimismo. |
-mk- |
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José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga (Golegã),
em 1922. Fez estudos secundários (liceal e técnico) que, por
dificuldades económicas, não pôde prosseguir. No seu
primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo exercido depois, diversas
outras profissões: desenhador, funcionário de saúde
e de previdência social, editor, tradutor, jornalista. Publicou o seu
primeiro livro, um romance, em 1947. Colaborou como crítico
literário na revista Seara Nova. Em 1972 e 1973 fez parte da
redacção do jornal Diário de Lisboa. Pertenceu
à primeira direcção da Associação Portuguesa
de Escritores e foi, desde 1985 a 1994, presidente da Assembleia Geral da
Sociedade Portuguesa de Autores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi
director-adjunto do jornal Diário de Notícias. A partir
de 1976 passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro
como tradutor, depois como autor. Em 1998 José Saramago foi laureado
com o Prémio Nobel da Literatura. |
Links zum
Thema:
"novo
livro promete polémica" (sapo.pt)
RTP
folha
de são paulo
observatório
da imprensa
Saramago
kandidiert für das Europa-Parlament
Ouça
partes da sessão de lançamento em Lisboa
uma
entrevista com José Saramago |
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