«É preciso cansarmo-nos, trabalhar muito para haver dias
felizes.» A. L. Antunes
Acabado de sair, reúne as aguardadas actas do colóquio sobre
António Lobo Antunes que se realizou em Évora, Portugal, nos
dias 14 a 16 de Novembro de 2002. Trinta e seis olhares oriundos de todo
o mundo sobre a renovação da escrita do romance, a perspectiva
de Portugal e do mundo retratada pelo autor, e as inevitáveis dificuldades
de tradução da sua escrita. Pistas para a leitura e a
compreensão do universo deste escritor, mas também reflexão
sobre a literatura contemporânea.
Sobre Lobo Antunes, atentemos, por exemplo, nas palavras de Nuno Júdice:
O que António Lobo Antunes tem feito, no seu já longo percurso
romanesco, pode então definir-se como o trabalho de nos colocar (uma)
interrogação sobre o mundo e, a partir daí, dar um
significado a esses outros, a essas existências que insistem em dizer
o seu nome, mesmo que se ocultem no interior da nossa periferia, cercados
pelo vazio que envolve esses espaços. Com os seus livros não
nos podemos desculpar de distracção, ou dizer que não
sabíamos. Está ali tudo, estamos ali todos - e nenhum de nós
poderá jurar que não sente a sua falta. |