Manuel Maria
Carrilho
Crónicas
Intempestivas
288 páginas.
Temas e Debates |
«Só um outro olhar, mais exigente, mais compreensivo e mais
irreverente sobre o mundo de hoje, nos livrará das tenazes do conformismo.
Para uma esquerda em processo de renovação, esse olhar tem
que assumir algumas ideias chave. Essas ideias são, em primeiro lugar,
a de que vivemos em sociedades liberais em que a identidade política
dos indivíduos é, apenas, um dos traços da sua identidade
global, sem privilégios de qualquer espécie. O indivíduo
contemporâneo é um mosaico de identidades em que os aspectos
profissionais ou lúdicos, familiares ou políticos, se equivalem,
combinando-se de modos diversos na plenitude da sua afirmação
individual.
Seguidamente, o de que convém conduzir uma interrogação
séria sobre o que significam e representam nos nossos dias os partidos
e as ideologias políticas, interrogação que permita
conhecer que valores, que opiniões, que paixões se projectam
no campo político, e de que modo tudo isto redefine a oposição
entre direita e esquerda. Em terceiro lugar, a de que se impõe cortar
com a visão tradicional do Estado, sobretudo com o voluntarismo de
reminiscências vanguardistas que condiciona todas as
transformações sociais à acção do Estado
e à valorização do seu enquadramento legislativo. Por
fim, impõe-se conseguir fazer passar a acção política
do nível nacional em que as suas incapacidades ou os seus bloqueios
são cada vez mais nítidos, para o plano supra e transnacional
em que, na verdade, se decide muito, e cada vez mais, do que é fundamental
(
). Ignorar isto é olhar para o séc. XXI com as lentes
do séc. XIX.» (da Introdução) |
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Todos os livros e CDs apresentados na novacultura estão
disponíveis na Alemanha através do TFM-Centro do Livro e do
Disco de Língua portuguesa:
http://www.TFMonline.de |
Manuel Maria Carrilho, filósofo e professor
catedrático de Filosofia Contemporânea da Universidade Nova
de Lisboa, é autor de inúmeros artigos e livros publicados
em Portugal e no estrangeiro.
Foi ministro de Cultura dos XIII e XIV governos constitucionais, entre
Outubro de 1995 e Julho de 2000, e é actualmente deputado à
Assembleia da República.
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