| «A Lua continuava clara de prata, a terra continuava
a recebê-la com passividade mortal.»
O último romance de Lídia Jorge recebeu o 1.º Prémio
Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa e o Grande Prémio de Romance
e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE).
Regressamos a Valmares, a terra ao Sul. Espera-nos o pó das estradas
esburacadas, a sombra das árvores, flores perfumadas. O calor do
verão, o suor, o murmúrio das ondas. Valmares apela a todos
os nossos sentidos, numa completa concentração no lugar. Para
testemunhar a mudança, e as resistências sociais ao que lhe
é diferente.
GRUAS A terra é revolvida, modificada. As gruas são
instrumentos de aproximação ao futuro. Símbolos da
transformação operada no mundo, que não continuará
a ser o que conhecemos.
VENTO Uma mulher criança, de 34 anos, a quem a esquizofrenia
faz manter a inocência. Um desejo constante de não falar a dor,
para não a aumentar. Uma casa enorme, povoada de memórias e
de ausências. A paixão que surge, avassaladora, entre a rapariga
e um homem de outra raça.
ASSOBIANDO A aceitação, condicionada, não olha
a meios: invade, elimina, castra. A intolerância ocultada, mas dominadora.
A revolta em relação ao silêncio de uma aceitação
hipócrita que não se coíbe de violar, de trair a
confiança., Um apelo contínuo vai ecoando em gravadores de
mensagens inconsequentes. Um crime que é silenciado.
Um livro intenso, envolvente, que combina a inocência, a paixão
e a doçura, com traição, intolerância e perda.
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