Manuel
Jorge Marmelo:
Os fantasmas de Pessoa
430 páginas
ASA, 2004 |
«Eu não acredito em polícias eruditos fora dos romances
policiais, nem em coincidências.»
Para a colecção "Literatura ou Morte", Manuel Jorge Marmelo
propõe-nos uma revisitação a Fernando Pessoa, rodeado
pelos seus heterónimos que lhe ditavam poemas e textos, noite fora.
O ponto de partida é o seu encontro com o mago Alistair Crowley, que
lhe pede conivência, chantageando-o com cartas que escrevera a Mário
de Sá-Carneiro, e que poderão estar relacionadas com o seu
suicídio. Esta é a ficção dentro da
ficção, a obra em construção de um candidato
a escritor que tem uma estratégia infalível para ser brindado
com um tremendo sucesso, apesar do risco que tal plano acarreta.
O escritor M. J. Marmelo aceita um desafio e decide divertir-se. Com estas
duas tramas de base policial, prende-nos a este livro; por um lado consuma
um encontro com Pessoa, deixando-nos passear entre as sombras e as palavras
dos heterónimos, que vão invadindo a escrita, deixando ténues
ressonâncias das suas palavras. Relembramos, por exemplo, o Banqueiro
Anarquista e toda a sua energia, bebemos um copo no Martinho da Arcada,
observamos a expressão preocupada de Pessoa, que se tenta esconder
até de nós, e teme pelo seu futuro. Paralelamente, assistimos
às tentativas de criar uma obra literária, que tem sempre por
objectivo ser lida, e se confronta com um cenário actual de poucos
leitores, tiragens reduzidas. Sem soluções à vista para
conquistar leitores, "pensemos em formas terroristas de vender os nossos
livros!"
Com as qualidades de escrita que já vinha demonstrando, M. J. Marmelo
conseguiu criar um divertimento contagiante, que dispensa técnicas
eventualmente terroristas |
Belém Barbosa |
Todos os livros e CDs apresentados na novacultura estão
disponíveis na Alemanha através do TFM-Centro do Livro e do
Disco de Língua portuguesa:
http://www.TFMonline.de |
| Manuel Jorge Marmelo nasceu no Porto em 1971 e é
jornalista desde 1989. Estreou-se nas letras em 1996 com o livro O homem
que julgou morrer de amor/O casal virtua. O seu segundo livro,
Portugués, guapo y matador, publicado em 1997, foi já
objecto de uma adaptação teatral, estreada no Porto em Abril
de 1999. Em 1998 publicou Nome de tango. Em Maio de 1999 saiu o seu
quarto livro, As mulheres deviam vir com livro de
instruções, actualmente na nona edição.
O Amor é para os Parvos, lançado em Junho de
2000, foi também já objecto de três reedições.
Em Dezembro de 2001 saiu Sertão Dourado, e, em Fevereiro de
2002, editou Paixões & Embirrações, uma
colectânea de crónicas e reportagens, já em segunda
edição.
Em Fevereiro de 2003 publicou Oito Cidades e Uma Carta de Amor,
um livro de contos ilustrados por fotografias captadas nas cidades de Budapeste,
Praga, Amesterdão, Paris, Londres, Madrid, Nova Iorque e Salvador.
No mesmo ano, mas em Novembro, o autor publicou ainda o seu primeiro livro
infantil, A Menina Gigante, escrito em parecia com a sua filha, Maria
Miguel Marmelo, e ilustrado por Simona Traina.
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| Livros disponíveis de Manuel Jorge Marmelo |
O Homem que julgou morrer de amor / O casal virtual
(1996)
Portugués, guapo y matador (1997)
Nome de Tango (1998)
As mulheres deviam vir com livro de instruções
(1999)
O Amor é para os Parvos (2000)
Sertão Dourado (2001)
Paixões & Embirrações
(2002)
A menina Gigante (livro infantil, 2003)
Oito Cidades e uma Carta de Amor (contos e fotografia,
2003) |
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