Em tempo de guerra não há conversas, apenas
informações. Frases rápidas e curtas.
Sétima obra de Gonçalo M. Tavares. Cenário de guerra,
de devastação. Um país é invadido, destruído.
Até a música é instrumento de agressão: nas ruas
soam composições da força invasora, aniquilando os seus
habitantes. A resistência torna todos os homens fortes, porque o medo
passa a ter um papel secundário.
A violência está nos episódios narrados, mas também
na linguagem seca e avitaminada com que se desenrola todo o livro. Sem
diálogos, sem adjectivos: a guerra e a humilhação dos
mais fracos minimizam o colorido das palavras, assimilam os substantivos,
os factos.
O amor torna-se algo estranho, que não se consegue separar da
violência. Durante a guerra, os seres vão sendo desprovidos
de emoções, tentando sobreviver, apenas, uns resistindo, outros
resignando-se. O que restará depois da guerra, que sentimentos virão
à tona, que nação ressurgirá das ruínas
sociais?
Com Gonçalo M. Tavares, nascido em 1970, agitam-se as águas
da mais recente literatura portuguesa. Revisão da condição
humana, da ambição e da resistência, em apenas 136
páginas. |