«O futuro» é um dos grandes lugares comuns do imaginário
colectivo português e brasileiro, desde a História do
Futuro de Padre António Vieira, até a eterna
designação do Brasil como «País do Futuro».
Em continuação de uma série de ensaios sobre a
situação «finimilenar» nos países hispanicos
e lusófonos, publicados na extinta revista tranvía,
surgiu, em 1998, a ideia de organizar um pequeno colóquio sobre a
situação do «futuro». Iiciativa retomada em 1999,
na ocasião do 3° Congresso da Associação Alemã
de Lusitanistas (DLV), com uma secção intitulada: «Apokalypse
und Kollektiv-Identität: zur Lage der Zukunft in Brasilien und
Portugal» (Apocalipse e identidade colectiva. Sobre a situação
do futuro no Brasil e em Portugal).
As contribuições para este grupo de trabalho são aqui
documentadas, adicionadas por alguns textos elaborados a convite do editor.
Os textos agrupam-se numa ordem relativa, começando por reflexões
teóricas, gerais e comparativas sobre a «doce tirania do
passado», o «futuro passado» e o conceito da
«Antropofagia» em confronto com a ideia e realidade da
globalização, seguidos de um retrato comparativo das
comemorações dos descobrimentos no Brasil e em Portugal. A
este seguem-se estudos sobre a abordagem do «futuro» em obras
litarárias de Caio Fernando Abreu, Maria Velho da Costa, José
Saramago assim como as metamorfoses do mito sebastianista na literatura
contemporânea. |