Já há algum tempo, o Fado começou a viajar o mundo.
Ultimamente em experimentalismos musicais, tentando integrar esta
manifestação musical genuinamente lisboeta num contexto
multicultural e europeu. O romper com as tradições faz parte
do jogo da inovação musical.
O Fado, por outro lado, sempre ganha e ganhou a sua inegável força
e fascinação de um quase teimoso insistir em tradições
e esquemas musicais - o romper com o automatismo das inovações.
É deste pano de fundo que vive o primeiro disco de Mariana Correia,
Fadista portuguesa residente em Genebra, cujo discurso musical - talvez até
pela situação de diáspora em que vive - recorre
decididamente às raizes mais puras e mais belas do Fado.
O seu CD intitulado Mensagens, traz nos, via Suíça,
todas as alusões de Lisboa, do Tejo, do marinheiro ausente, e, em
duplo sentido, obviamente, da saudade. Resistindo à tentação
de muitos intérpretes residentes no exterior, Mariana, não
interpreta os grandes sucessos de sempre, mas faz uma excelente escolha de
Fados menos conhecidos, que em sua grande maioria, combinam maravilhosamente
com o carácter de sua voz. As duas músicas menos conseguidas
neste CD - «Fado Tropical» de Chico Buarque, e uma canção
Charles Aznavour - apenas nos provam que Mariana Correia é mesmo e
exclusivamente Fadista. Não na Alfama, nem no Bairro Alto, admitimos,
mas claro está: Raizes musicais não dependem necessariamente
de geografias. |