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Ivo Machado: Os Limos do VerboIvo Machado
Os Limos do Verbo


80 páginas
Editora Ausência 2005

Tenho que confessar: Estou em dívida com este livro. E esta dívida extende-se a muitos livros de poesia. Ainda não escrevi nada sobre ele, apesar de já conhecê-lo desde manuscrito. O dever do crítico é sempre escrever sobre o livro que leu, mas justamente este «escrever-sobre» torna se difícil, quando ao ler se sente uma grande vontade de permanecer simplesmente leitor, apreciador. Mas, para além da «crítica», o dever do divulgador é partilhar a experiência da poesia com outros, anima-los a também partilharem a poesia, a experiência. Pois então:

Dias antes do começo da Guerra dos Estados Unidos contra o Iraque, em 2003, Ivo Machado enviou-me por e-mail o poema «Sal do Mundo: Carta para os meus filhos», que agora abre o livro. Este termina em:.

Meus filhos: o mel vos alimente em bemquerença, e
parando meu coração, à vossa mesa,

haja tâmaras e água
– um prato de tâmaras, um copo de água.

Uma simplicidade que diz quase tudo e que me fascina até hoje. Uma imagem de paz. Humanismo profundo, reduzido a dois elementos pictóricos, metafóricos, poéticos.

«Naturezas mortas» como esta, e miniaturas, detalhados momentos fugazes, caracterizam as poesias de Os Limos do Verbo.

Há um pássaro ciumento
sobre o telhado, a árvore no claustro
entende a língua de sede do olhar

lê-se em «Retratos da Toscânia»  (página 59),
e em «In Memoriam Emanuel» (p. 67) observa-se:

Um girassol, uma viola
– poderia ser um barco,
o mar tem vulcões acesos

O elemento romântico é quase sempre presente na poesia de Ivo Machado, porém num sentido idealista, e nunca como mera brincadeira pastoril, como se vê. Pois, «nem diante da inclinação da Torre de Pisa», diz Milton Fornaro, que escreveu o prefácio do livro «Ivo Machado, filho de camponeses, (… ) se pode esquecer da inclinação das maicieiras carregadas de frutos no pomar de seu pai.» Uma bela caracterização. E citamos mais uma vez o próprio poeta:

Ao contrário de meus filhos nasci em escuridão,
como meus pais, como o meu país, mas apesar
da tristeza de minha mãe e do salário de meu pai,
de minha avó herdei uma lição: nenhum tirano
mata a poesia ou proíbe um aperto de mão.


(«2 de Dezembro de 1967», p. 66)

E é este enraizamento, tão simples, tão vigoroso, que me fascina principalmente.

Continuo em dívida com este livro, pois ainda não terminei de lê-lo. Há mais de dois anos não termino de ler estes versos. Assim o deve ser, penso eu.

mk

Todos os livros e CDs apresentados na novacultura estão disponíveis na Alemanha através do TFM-Centro do Livro e do Disco de Língua portuguesa: http://www.TFMonline.de

Ivo Machado nasceu na Ilha Terceira em Outubro de 1958. Estudou em Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Lisboa. Em 1987 deixou as Ilhas para se fixar no Porto.

Publicou: Poesia – Alguns Anos de Pastor, 1981; Três Variações de Um Sonho, 1995; Cinco Cantos Com Lorca e Outros Poemas, 1998; Adágios de Benquerença, 2001. Teatro – O Homem Que Nunca Existiu, 1997. Novela – Nunca Outros Olhos Seus Olhos Viram, 1998.

Tem uma variada e dispersa colaboração pela imprensa, rádio e televisão, no país e no estrangeiro, destacando-se a crónica radiofónica «Cinco Minutos na Memória das Palavras» 1985-1986 e as intervenções nas revistas: Vértice (Coimbra), Ficciones (Granada), Atlântida (Instituto Açoriano de Cultura); Mealibra (Viana do Castelo) e Literastur (Gijón - Espanha).

Alguns dos seus poemas estão traduzidos para espanhol por João Botelho, Simon Harris e María Tecla Portela; para inglês por Diniz Borges; e para eslovaco e húngaro, por Ivan Štrpka e Peter Zsoldos.


Biografia e alguns poemas no Projecto Vercial


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