Home

livros

música

agenda

aus deutschen verlagen

temas e estudos

dezembro / dezember
2005

angola

brasil

cabo verde

guiné-bissau

moçambique

portugal

são tomé
e príncipe

timor lorosae

bestellen

suchen

impressum

home

tfm-online


Rui Zink: A Palavra MágicaRui Zink
A Palavra Mágica
e outros contos

140 páginas
Dom Quixote 2005

«Eh, o Zinco disse uma asneira!»

É verdade que todos riram e bateram palmas. «Eh, o Zinco disse uma asneira!» É verdade também que fui um bocadinho ridículo. Mas, volvidos quase quarenta anos, ainda estou orgulhoso do meu feito.

Dos treze contos deste novo volume, adverte o autor, «dois são obviamente autobiográficos, seis estrondosamente paranóicos, um descaradamente plagiado. Dos outros nem é bom falar.»

Falemos pois do livro. É uma composição de dispersos, publicados nos diversos meios de comunicão, incluindo este nosso site, em que RZ foi o primeiro a aceitar o convite para uma «literatrip», em 2001, com «O Bicho da Escrita» que mais tarde apareceu, numa versão modificada, como livrinho com a chancela do IPLB. Mais uma vez modificado, o conto emblemático integra esta colectânea. Outro conto marcante  – e outra versão modificada –, «Amanhã chegam as águas», uma visão apocalíptica da nova Europa, de novas éticas num mundo globalizado, também já dava para um livro próprio.

Mas prefiro o conjunto, cuja moldura é justamente a palavra (mágica) - no sentido de Carlos Dummond de Andrade, cujo poema homónimo foi escolhido como epígrafe, ou no do miúdo gaguejando «M-m-erda!» para o divertimento dos colegas :«Eh, o Zinco disse uma asneira!».

Felizmente, aquela da asneira, hoje já passou. Hoje já se encontram críticos que levam o escritor a sério sem naturalmente desprezar o provocador e brincalhão que ele continua a ser, sempre com a palavra em punho.

Palavras também são armas. Matam, no caso da denúncia falsa que levou o avô do protagonista à prisão da PIDE, ferem, como a «notícia de jornal» citada em «Beirute de Baixo»,  assustam (onde deviam alertar) no acontecimento narrado em «Estas coisas acontecem». Mas às vezes é preciso alguém que relate, verbalize – de forma adequada e aguda – as brutalidades, os absurdos, o quotidiano (aquele grande, político-histórico, e aquele bem pequenino e quase desimportante) para que se perceba o teor letal, os pesadelos que eles representam.

É até engraçado quando o marido que durante toda a vida resistira às tentações homossexuais, finalmente descobre que a sua esposa sempre o traíra com outras mulheres («Amor Próprio»). Já quando uma gorjeta exagerada leva um marido raivoso a matar a esposa, e no final se descobre que esta própria gorjeta não passava de uma encenação a propósito de poder matar a mulher sem ser punido, esta brincadeira aponta, novamente, àqueles dramas conjugais que são tema predilecto da literatura de Rui Zink (veja-se por exemplo: Apocalise Nau).

Palavras são armas, e por outro lado, apontam para as armas, alertam, e – felizmente para a humanidade, são ainda capazes de entreter, divertir. A ironia de Rui Zink nunca se confunde com aquele non sense descarado e gratuito, mas seu humor continua notório.  

Compreendem, claro,
não compreendem?
É que o poema pode muito bem
passar sem o mundo.
Mas
já imaginaram
o que seria do mundo
sem o poema?

Mais uma prova da magia do Dr. Zink.

mk

Todos os livros e CDs apresentados na novacultura estão disponíveis na Alemanha através do TFM-Centro do Livro e do Disco de Língua portuguesa: http://www.TFMonline.de

Rui Zink nasceu em 1961.
É escritor e professor universitário.
Foi organizador da exposição «Pornex 84» e membro do grupo «Felizes da Fé», o que marcou a sua imagem pública durante anos.
Em 1987 publicou seu primeiro romance Hotel Lusitano seguido pelos contos A Realidade agora a Cores em 1988. Além de ficção e Banda Desenhada escreve livros infantis, estudos literários, ensaios, peças de teatro, libretos e traduções literárias.
Parte de sua obra já encontra-se traduzida para o alemão, hebraico e inglês.


Obras publicadas:

Hotel Lusitano (Europa América, 1987)

A Realidade agora a Cores (Signo 1988)

Homens-Aranhas (Relógio d'Água 1994)

Apocalipse Nau (Europa América 1996)

A Arte Suprema (com António Gonçalves, Asa 1997)

A Espera (Europa América 1998)

A Realidade agora a Cores - Re-mix (Europa América 1999)

O Suplente (Europa América 2000)

O Halo Casto (com Luís Louro, Asa 2000)

Os Surfistas (Dom Quixote 2001)

Major Alverca (com Manuel João Ramos, Dom Quixote 2003)

Dádiva Divina (Dom Quixote 2004)




nova cultura (issn 1439-3077) www.novacultura.de
© 2005 Michael Kegler, sternstraße 2, 65719 hofheim / novacultura@gmx.de

TFM-Zentrum für Bücher und Schallplatten in portugiesischer Sprache www.tfm-online.de
disclaimer / Haftungsausschluss