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Pepetela: O cão e os calusPepetela:
O cão e os caluandas

184 páginas
Publ. Dom Quixote 2002

«O cão e os Calús/Caluandas», novela escrita entre os anos de 1978 e 1982, é o testemunho de Pepetela às perceptíveis mudanças da sociedade angolana após sua independência em 1975. A obra é construída como um "puzzle" de narrativas, situações e estilos que reconstrõem as andanças do cão pastor-alemão, Lucarpa, pela cidade de Luanda e entre seus habitantes. O "autor" da novela, outro personagem de Pepetela, reúne sob diversas formas narrativas testemunhos de pessoas que tiveram contato com o cão, protagonista e herói /ou anti-herói dessa estória. A estruturação tempo-espacial fragmentária da obra revela semelhanças com a novela picaresca e cada relato recolhido pelo "autor" tem um registro linguístico diferente ao anterior. Assim, um "ninho" textual através da polifonia é formado abordando, através da sátira social explícita, o "modus vivendi" dos moradores de Luanda, os caluandas ou os calús.

O livro é iniciado com um "Aviso ao Leitor", o qual recebe a data de 2002 e o localiza na cidade de "Calpe". Esses dois dados chamam a atenção do leitor acostumado a ler as obras de Pepetela, já que se trata de vinte anos posteriores aos fatos ali narrados e do próprio período de criação da novela (evidência ao olhar histórico que Pepetela costuma abordar em suas narrativas), e da localidade ser a mesma retratada em Muana Puó (1969), cuja significância aponta para a cidade do sonho, para a utopia do futuro.

A novela segue com os depoimentos do pseudo-poeta e parasita Tico, de um Primeiro Oficial do governo, com cartas, depoimentos gravados, recortes de jornal, actas de reuniões, relatórios, ofícios burocráticos, peças de teatro e até um diário de uma adolescente, cujas confissões intercalam cada depoimento ou fragmento organizados pelo "autor". É justamente através desse diário que o nome do cão é revelado ao leitor, Lucarpa.

Por sua vez, o cão comporta-se de forma idêntica a cada novo capítulo: aparece de súbito na vida de cada personagem e depois desaparece provocando reações diferentes. Porém, todos os personagens revelam insatisfação pela fuga do cão. Ele é o catalisador e o responsável pelas estórias dessas personagens. A recusa do statuos quo da narrativa pelas constantes fugas do animal é paralela, desde o início da novela, à sua antipatia e ao seu combate com a planta Buganvília.

A narrativa é constantemente cortada por propostas alternativas à sua linearidade e organização, como ocorre, por exemplo, com as duas versões finais da novela, as quais podem representar uma recusa à visão uniforme do mundo e à sua face instituída.

A presença dos múltiplos narradores e de suas diversas funções sócio-políticas representa o microcosmo da cidade de Luanda em um determinado período de crise. Na altura do lançamento da novela em 1985, ela foi considerada fundamentalmente de crítica jornalística.

Em O cão e os caluandas Pepetela retoma seu questionamento aos projetos de "nação angolana" e de "unidade nacional", os quais já havia abordado em seu romance anterior Mayombe (1980). O novelista aproveita também para apresentar denúncias à burocracia, à corrupção, ao tribalismo já intrínsecos na estruturação desse jovem país recém-independente. Tais denúncias são perceptíveis em todos os depoimentos, sendo mais emblemáticos nos seguintes segmentos: "O primeiro Oficial", "O mal é da televisão", "Lição de economia política", "Regressados", "Que raiva!", "Entre judeus", "Luanda assim, nossa".

Renata Martins

Alle auf  www.novacultura.de besprochenen Titel können in Deutschland beim TFM-Zentrum für Bücher und Schallplatten in portugiesischer Sprache bestellt werden: ttp://www.TFMonline.de



Pepetela: Yaka
Pepetela: O cão e os caluandas
Pepetela ( Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos) nasceu em 1941 em Benguela, Angola. Em 1958 parte para Lisboa, onde ingressa no Instituto Superior Técnico (Engenharia) que freqüenta até 1960. EM 1961 transfere-se para o curso de Letras. Neste mesmo ano acontece, em Luanda, a revolta que origina a Guerra Colonial. Em 1963 Pepetala torna-se militante do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA). Exilado na França e na Argélia, posteriormente gradua-se em Sociologia. Após a independência em 1975 Pepetela é nomeado Vice-Ministro da Educação no governo de Agostinho Neto. Actualmente é professor de Sociologia da Faculdade de Arquitetura de Luanda, onde vive. Em 1997 Pepetela recebeu o Prémio Camões.
Obras publicadas:

Muana Puó - Romance escrito em 1969 e publicado em 1978.

Mayombe - Romance escrito entre 1970 e 1971 e publicado em 1980.

As Aventuras de Ngunga - Romance escrito e publicado em 1973.

A Corda - Peça teatral escrita em 1976.

A Revolta da Casa dos Ídolos - Peça teatral escrita em 1978 e publicada em 1979.

O Cão e os Calus - Romance escrito entre 1978 e 1982 e publicado em 1985.

Yaka - Romance escrito em 1983 e publicado em 1984 no Brasil e em 1985 em Portugal e em Angola.

Lueji, o Nascimento de um Império - Romance escrito entre 1985 e 1988 e publicado em 1989.

Luandando - Crônicas sobre a cidade de Luanda escritas e publicadas em 1990.

A Geração da Utopia - Romance que começou a ser escrito em 1972 e publicado em 1994.

A Gloriosa Família, o Tempo dos Flamingos - Romance publicado em 1997.

O Desejo de Kianda - Romance escrito em 1994 e publicado em 1995.

A Parábola do Cágado Velho - Romance. Começou a ser escrito em 1990 e foi publicado em 1997.

A Montanha da Água Lilás, fábula para todas as idades - Romance publicado em 2000.

Jaime Bunda, o agente secreto - Romance publicado em 2002.

Jaime Bunda e a Morte do Americano - Romance publicado em 2003

Predadores - Romance publicado em 2005


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