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Wenn der Tod sich nähert, nur ein AtemzugPaulo César Fonteles de Lima
Wenn der Tod sich nähert, nur ein Atemzug
Gedichte. Portugiesisch / Deutsch

Übersetzt und mit einem Essay versehen von Steven Uhly
192 Seiten
Matthes & Seitz 2006

Cada palavra um murro no estômago

Como descrever os poemas de Paulo César Fonteles de Lima? Que voz é esta que aqui nos fala? Que gritos, que dores, que mortes próximas? Que faço eu aqui, numa atmosfera cuidada e harmónica, rodeada de estantes que albergam em muitas línguas muitos poetas de muitos espaços e muitos tempos? Vínhamos ouvir lírica – uma voz que não conhecíamos, alguma curiosidade nos trouxe.

Uma história simples, anos 70 no Brasil, um casal de estudantes, ambos activos no meio universitário, cai nas garras de torcionários, a fragilidade de uma jovem família nas mãos dos poderosos ou dos que buscam o poder humilhando com atrocidades os que mantêm a todo o custo coragem e dignidade.

E depois? De frente a um estrado, os dedos a crisparem-se rente ao estofo do assento, recebo atónita flechas de revolta do sobrevivente à tortura (no singular, que o plural iria minimizar o horror) dum regime ditatorial, mas não sobrevivente à violência do regime que lhe seguiu, pois que já em democracia (mas qual e quais as falácias?) foi assassinado, a tiro, por um qualquer capanga de um ou mais senhores da terra. No tempo da ditadura militar o poeta e sua mulher grávida estiveram meses presos e sob tortura. A seguir, durante dez anos, o poeta foi registando a sua experiência... Experiência? Como as palavras são pobres e enganadoras. Não, Fonteles de Lima não relata experiências horrorosas nos seus poemas, nem lambe as suas feridas. Antes ele as reabre na nossa frente, rasga de novo a pele, todo o seu corpo em carne viva. E expõe-se qual animal para a degola, no corredor sombrio a caminho do matadouro.

Folheio o livro e deparo com o meu próprio pânico. Leio ora em português ora em alemão, como se saltitar um pouco, comparar original e tradução me aliviassem. Mas as palavras não me apaziguam: é a matilha que ataca a mulher, são as repetições que espancam: andar andar sem poder parar e o gosto de morte na boca. Como fazer poesia depois de Ausschwitz, como fazer poesia depois de meses violentados? Cada palavra é um murro no estômago. Os poemas não se transcendem, não extravasam sentimentos para um outro qualquer nível, mais suave ou conciliador. Aqui, nada há a conciliar. Paulo Fonteles de Lima junta emoções e palavras, cita os gestos e os berros da violência, geme de novo a dor sofrida e não deixa nunca, em esperança surda, de sonhar com um ataque de peões.

Por onde andaram estes poemas? Quem os ocultou? Quem não teve coragem de os imprimir? Em que sistema eles não puderam ter voz? No mesmo que assassinou o poeta?

Na Alemanha, em Hannover os poemas foram dramatizados, na leitura em Munique lidos nas duas línguas, num tom lacónico, quase mecânico, martelaram-me o cérebro pela noite adiante. Cada palavra é um murro no estômago. São poemas que imagino lançados em ritmo, em rap, ditos, repetidos, teriam de ser divulgados entre muitos, não para fazer reviver um acontecimento passado, nem para rememorar horas tristes de um (qualquer) país, não, eles terão de ser ditos e ouvidos, porque tudo isto ainda acontece, porque neste momento,em algum lugar sinistro do planeta, em terra danada, algures o corpo trepida e há um sargento que ri.

Quis o destino que o investigador alemão Steven Uhly descobrisse a obra de Fonteles de Lima. Coube-lhe a ele o dever e o gosto de traduzir os poemas, de os publicar numa edição bilingue e de apresentar, com informações preciosas, a época, as circunstâncias e a vida do escritor. Também a cada leitor cabe o dever de divulgar esta voz acutilante, que, afinal, regime nenhum conseguiu calar.

Luísa Costa Hölzl (Munique)




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Todos os livros e CDs apresentados na novacultura estão disponíveis na Alemanha através do TFM-Centro do Livro e do Disco de Língua portuguesa: http://www.TFMonline.de

Paulo César Fonteles de Lima, geboren 1949 in Belém do Pará, erschossen am 11. Juni 1987. Jurastudium in Brasilia, seit 1969 im Widerstand gegen die brasilianische Militärdiktatur. In den siebziger Jahren Mitglied der Ação Popular (Volksaktion), wurde verhaftet, gefoltert und für zwei Jahre inhaftiert. Nach dem Ende der Militärdiktatur engagierte er sich als Jurist und Abgeordneter für die Rechte der Landarbeiter und wurde 1987 von einem ehemaligen Militärpolizist erschossen. Die Auftraggeber wurden nie angeklagt. S. auch: Wikipedia .
Die jetzt in Deutschland auf Deutsch und im portugiesischen Original erschienenen Gedichte wurden zur Zeit der brasilianischen Militärdiktatur (1964–1985) geschrieben. In Brasilien wurden sie bisher nicht veröffentlicht.


Deutschsprachige Rezension in:
Deutschlandradio

O ensaio de S.Uhly
"PAULO CÉSAR FONTELES DE LIMA – POESIA E DITADURA" , em Português

Luisa Costa Hölzl
é professora de Português Língua Estrangeira, tradutora e poetisa, vive em Munique e é uma das organizadoras da associação cultural "Lusofonia" desta cidade.


Este livro está disponível na Alemanha através de TFM Centro do Livro e do Disco de Língua PortuguesaTFM-Centro do Livro e do Disco de Língua Portuguesa




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