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Marisa Monte – Tempo de fertilidade

A cantora e compositora brasileira Marisa Monte surpreendeu milhões de fãs pelo mundo afora com o lançamento simultâneo de dois discos, o Universo ao Meu Redor e Infinito Particular.
Artista que sempre soube conduzir a própria carreira sem fazer grandes concessões à indústria fonográfica, ela impressiona mais uma vez tanto pela qualidade dos novos trabalhos, quanto pela audácia em gerar dois álbums bem diferentes um do outro.
Enquanto que Infinito Particular soa como inspirado passeio pelo pop brasileiro, em arranjos sinuosos engendrados por Phillip Glass, Eumir Deodato e o bossa-novista de primeira hora João Donato, o disco Universo ao Meu Redor encanta pela mescla de antigos sambas do acervo sentimental de Marisa com músicas assinadas em parceria com os amigos tribalistas Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes.
Infinito Particular e Universo ao Meu Redor demarcam com grande clareza a posição de destaque que Marisa Monte sustenta desde o início de sua vida artística, principalmente como intérprete, no chamado Olimpo da música brasileira.
Antes de vir à Europa para mais uma turnê, ela conversou conosco sobre a atual fase de sua carreira, em entrevista exclusiva para a Jazzthetik.


Felipe Tadeu: Você está lançando simultaneamente dois álbums bastante distintos dentre si, que estão sendo trabalhados pela tua gravadora aqui na Europa, nos Estados Unidos e outros cantos do mundo. Você concorda que Universo ao Meu Redor tem um potencial muito maior junto ao público estrangeiro por ser de samba, gênero já decodificado como brasileiro, enquanto que Infinito Particular é o pop, segundo Marisa Monte?

Marisa Monte: Eu acho que Universo ao Meu Redor é também bastante pop, sabe? Ele é um disco mais fácil de ser percebido na primeira audição. Aqui no Brasil, as pessoas que têm os dois discos começam a ouvir mais o Universo ao Meu Redor, mas depois acabam se envolvendo mais com o Infinito Particular. Para mim, os dois álbums têm a mesma vocação de comunicação com o público, os dois têm letras lindas, há uma coesão no conceito. Eles são diferentes e é natural que o ouvinte prefira um ou outro, mas eu vejo um equilíbrio grande entre eles. As pessoas que gostam de mim, gostam dos dois (risos).

¬ Há oito anos atrás, quando você esteve aqui na Alemanha, se apresentando no festival Viva Afro-Brasil, em Tübingen, você fôra questionada se estaria nos teus planos gravar um disco só com sambas. Na época, você estava reticente…

Marisa Monte: Eu gostaria de fazer um disco que abordasse o universo do samba, mas que não fosse tão tradicional quanto um álbum da Velha Guarda da Portela (nota do Redator: o selo Phonomotor, de Marisa Monte, lançou em 2000 o álbum Tudo Azul, da chamada Velha Guarda, reunindo parte da antiga nata de compositores e intérpretes da escola de samba Portela, do Rio de Janeiro). Eu quis fazer em Universo ao Meu Redor um disco com esse repertório de agora, recente, que eu acho lindo e que se inspirasse na maneira de compor dos antigos sambistas, mas que também pudesse dialogar com meus trabalhos anteriores.

¬ Parece que a campanha de divulgação dos dois discos na Espanha tem sido bem articulada, com cartazes espalhados em pontos de grande circulação de pessoas nas principais cidades, o que é raro de acontecer no exterior para um artista brasileiro. Você credita isso ao fato do álbum Tribalistas, feito em 2002 por você, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes ter sido sucesso em várias partes do mundo?

Marisa Monte: Já são muitos anos de trabalho aí na Europa, e além disso há também o fato da música brasileira ter grande força no exterior. Existem vários outros artistas daqui do Brasil que já têm um espaço estabelecido por aí, o que torna isso tudo um movimento natural. O meu trabalho é muito coloquial, direto, não é uma coisa hermética, feita para poucos.

¬ Um dos melhores momentos de Infinito Particular é a faixa «Pernambuco Bucolismo», assinada por você e por Rodrigo Campello. Você não acha que ela poderia ter entrado perfeitamente no repertório de Universo ao Meu Redor, já que é um samba?

Marisa Monte: Eu não sei…É, poderia até ser, mas eu acho que ele combina mais com Infinito Particular. O interessante nessa faixa é que eu gravei tudo, são só vozes minhas, eu fazendo também o baixo, com o Dadi entrando com uma percussão muito sutil. A gente teve um trabalho muito intencional, denso nesse disco de processamento de vozes. Há muita voz como instrumento.

¬ Os Novos Baianos é um grupo que volta e meia reaparece como referência nos teus trabalhos mais recentes. Eles participaram do teu vídeo Barulhinho Bom, de 1996, você incluiu no teu repertório A Menina Dança, que é da safra deles, e agora lá estão o baixista ex-novo baiano Dadi tocando mais uma vez com você (ele participara dos Tribalistas), além de Pedro Baby, que vem a ser filho de Pepeu Gomes e Baby do Brasil (ex-Baby Consuelo), guitarrista e cantora da banda, respectivamente. Que tipo de fascínio os Novos Baianos exercem sobre você?

Marisa Monte: Eles chegaram a vender muitos discos no início dos anos 70 com Acabou Chorare (Lp de 1972). Houve um momento de muito sucesso para eles, mas independente de vendagem, eu acho que eles tiveram uma experiência muito feliz na época, criando algo original para a música brasileira com aquela mistura de rock com samba. O virtuosismo de músicos como Jorginho Gomes (bateria e percussão) e seu irmão Pepeu é extraordinário. O compositor Moraes Moreira e as letras de Galvão também. Eu era pequenininha nessa época (Marisa Monte nasceu em 1967), mas meus pais ouviam sempre Novos Baianos lá em casa.

¬ Como é que você chegou à música «Três Letrinhas», parceria de Moraes Moreira e Galvão que também é um dos pontos altos de Universo ao Meu Redor? Ela não estava em nenhum álbum dos Novos Baianos.

Marisa Monte: Ela era inédita mesmo, foram o Dadi e a mulher dele, Leilinha, que se lembraram dela e me mostraram. Desde que ela foi composta, em 1969, ela permanecia só na tradição oral. O grupo fez vários discos e nunca a incluiu em nenhum trabalho.

¬ Muito pouca gente sabe que você quase se tornou cantora lírica, e que já chegou até a prestar exames em Munique. Conte mais sobre essa época e o porquê da guinada de Marisa Monte rumo à chamada música popular.

Marisa Monte: Eu vi que não poderia ser cantora lírica por ter que abrir mão de toda a minha cultura no Brasil. Eu teria que morar fora para sempre e me dedicar a um repertório anacrônico, de outro tempo, e isso não fazia sentido para mim. Mas como técnica foi muito bom. Passei a entender mais sobre o aparelho vocal, pude desenvolvê-lo, além de ter conhecido um repertório lindo. Estudei na Itália quase um ano, teria que engrenar mesmo lá na faculdade, mas quando vi que seriam quatro anos, não dava.

¬ Marisa Monte, a mesma pessoa que já chegou a levantar a hipótese de se tornar cantora lírica, ganhou na infância uma bateria do pai, que era diretor da escola de samba Portela. Não seria por falta de versatilidade musical que a tua família deixaria de ser feliz nessa vida, não é?

Marisa Monte: Eu sempre gostei muito de música, sem preconceitos.

¬ Teu envolvimento com a Portela já te levou a desfilar pela escola, no carnaval, como dançarina?

Marisa Monte: Eu até já saí com a Velha Guarda da Portela, mas não sou passista. Participei do carnaval duas ou três vezes a convite da Velha Guarda, mas só pela minha relação com ela. Sou mais ligada à antiga tradição da Portela, e não com o presente da escola.

¬ A turnê de lançamento dos discos Universo ao Meu Redor e Infinito Particular passará pela Europa em setembro. É muito compensador você deixar de tocar no Brasil, onde é extremamente popular, para vir se apresentar aqui?

Marisa Monte: Sim. Há sempre o retorno em termos de desafio, de você conquistar novos espaços, de tocar para outras pessoas. Minha primeira turnê estrangeira foi em 1989, e de lá pra cá meu trabalho foi ficando naturalmente mais conhecido no exterior. Minha carreira é estruturada no Brasil, mas é bacana você travar contato com outras culturas, e poder estar ligada, através da música, à vida dessa forma também.

¬ Você tem um filho pequeno. Quantos shows você conseguirá fazer este ano no Brasil e na Europa?

Marisa Monte: Olha, no Brasil eu farei uns 45 shows até dezembro, sendo que na Europa ficarei 35 dias, de forma que a turnê seja a mais compacta possível. Depois da Europa eu volto pro Brasil, onde fico quinze dias descansando, depois tem um mês nos Estados Unidos. Se saio do Brasil para tocar um mês fora, tenho que ficar depois pelo menos umas três semanas com a criança para compensar a distância. Essa fase do meu filho passa muito rápido e isso é um valor muito importante para mim.




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Felipe Tadeu Felipe Tadeu
ist Musikjournalist und auf  brasilianische Popmusik spezialisiert. Als DJ Fila legt er seit den neunziger Jahren in ganz Deutschland Platten auf und sendet wöchentlich aus Darmstadt die Sendung
«RaDar Brasil».


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Marisa Monte: Infinito Particular

Marisa Monte: Universo ao meu redor


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