michael
por favor, continue a ler sob
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de 04 August 2010, 18:17 | 0 comentários
Felipe Tadeu
A vida até parece uma festa, mas às vezes ela só começa às duas da matina. É como me sinto, depois de ter passado tanto tempo (digo 47 anos) acalentando um de meus sonhos mais antigos: o de me tornar letrista. Aliás, letrista eu já sou desde meus sete anos de idade, pois me lembro muito bem do que me atiçou a escrever "versos" pela primeira vez numa canção. Eu era guri do Liége Tijuca, o prédio em que morava minha família, e lá tinha um porteiro apelidado "Russo", que era a carniça da anárquica petizada.
Era um grande cara, o Russo. Adorava criança , principalmente meu irmão Duda, e foi pra ele, Russo, que compus meu primeiro texto musical. Ficou infantilóide, claro, mas fez todos os meus amigos rir. Gostei da felicidade que senti ao vê-los cantando o besteirol do dimenó, e resolvi investir no talento. Dizem que os míopes escrevem muito bem.
E foi assim que, sete anos depois, subi com o Ick, Marco e Duda no palco do festival de música do Colégio Salesiano - a escola de padres no bairro do Jacaré que me deu melhor base de aprendizado curricular - empunhando uma canção de protesto chamada “Mundo Atual” escrita por mim e musicada pelo Ick. Quem defendeu a música no microfone fomos eu e o mesmo Carlos Henrique, numa época em que eu era tímido feito só uma porta. Como não bebia nem um pinguinho de álcool, nem curtia a acetona que minha mãe usava pras unhas, subi ao tablado num cagaço danado e fomos despejados da final num golpe só. Era em 1976, época de ditadura militar, eu com 14. Vai ver minha letra colocava o regime em xeque, sei lá.
O melhor da festa foi me certificar mais uma vez do amor que meu pai tinha por mim. Ele, também um tímido, perdeu a estribeira, rodou a baiana na frente do júri, e acusou os jurados em bom tom de estarem a serviço da mais pura marmelada. Cica.
Voltei triste pra casa pela desclassificação prematura, prematuríssima, e olha que não tinha nenhum Chico Buarque no certame. Fosse assim, voltaria premiado para o lar, pois perder para Chico, sempre foi uma honra. Pergunte ao Vandré.
Pois bem. O tempo foi passando, passando, e minha paixão imensa pela música foi ganhando proporções quase trágicas. Por um triz não morri duas vezes por ela: a primeira, no dia em que explodiu a bomba no Riocentro. Eu estava lá dentro, claro. Na segunda, ao voltar do Festival de Águas Claras, e capotar com os amigos malucos na fatídica Via Dutra. Xandy, irmão do Ick, estava comigo nas duas ocasiões, e nem desconfia que tem o mesmo orixá que eu.
Nessa época em que comecei a participar como compositor em alguns parcos festivais, já estava totalmente obcecado pela música, assistindo milhares de concertos maravilhosos dos músicos mais díspares (entenda por isso de A Barca do Sol a Aniceto do Império, de Mercedes Sosa a The Wailers), e acabei aterrisando no Jornalismo, com tanta informação fermentada no calor dos tempos de juventude. Gostava demais do que lia de Tárik de Souza, de Ana Maria Bahiana e de outros caras da imprensa musical, e percebi em mim também uma fissura por isso. Admirava tanto as boas reportagens deles, as críticas progressistas da ala não-nacionalista, que recortava e guardava com o maior zelo o material histórico que eles produziam. Textos que estão comigo até hoje, de uma época em que não havia internet. Viria a me tornar jornalista só por causa da música.
Aí fui chegando perto dos vinte. Antes de entrar para a Faculdade de Jornalismo, passei por uma Faculdade de Letras, com a ilusão de que iria poder me aprofundar nas ciências de nossa língua. Mas quando vi que estava sendo triturado para me tornar um sub-professor de português, caí fora. O que eu poderia fazer com o grego antigo que lecionavam na uni? E o latim, que me soava tão rudimentar? Fóssil é coisa pra arqueólogo, né zé?
Isso tudo escrevendo minhas coisas, ali, calado. Xandy se tornara meu principal parceiro musical, e enquanto minha cabeça ía sendo cultivada da melhor maneira que conseguia, fomos compondo coisas para grupos como o Mariposa da Lua, Avesso, Armitage. Com Nabby Clifford, músico de Gana que me proporcionou grandes alegrias ao cantar nossas parcerias em arrebatadas sessões no mitológico Circo Voador (e em outros espaços nobres da cultura alternativa), cheguei a fazer minhas primeiras letras de reggae, um gênero que sempre me deixou chapado. Tudo que fazíamos eu e meus parceiros musicais Xandy, Nabby, Ricardo Bottecchia e Beto Braga, nos parecia muito bom, mas nada emplacava, a ponto de alguém vir a gravar nossas músicas. Pra mim não era nada chique ser inédito, ainda que cultivasse a onda underground.
Quando deu 1991, eu estava começando a ficar com raiva de mim, de ter acreditado tanto nas coisas: no Brasil, na minha profissão de jornalista diplomado, e também no meu talento como letrista.
A sorte foi que eu tinha uma namorada que gostava de mim, com quem passei a construir planos para o futuro, e que era descendente de alemães. Gisela. A sorte foi que a Alemanha foi com a minha cara. A sorte foi que eu não desisti de nada do que acredito desde o tempo em que fiz os versos bobinhos pro Russo. Vai ver a sorte é que eu sabia o que era o Expressionismo alemão, o Partido Verde, a ocupação de casas como protesto contra a especulação imobiliária. Eu amava e ainda amo Hanna Schygulla e Werner Herzog, ou seja, era um bom rapaz, desses enviesados.
O fim da seca se dá agora com Daniel Tochtermann, compositor e guitarrista alemão, ao lançar "To Mingle and Mine", um álbum que conta com a participação de um monte de gente que admiro, a começar pelo genial melodista que é o próprio Daniel. Um cara que conheci por causa do livro de poemas que publiquei na Alemanha, o "Certos Insetos" de 1994, e que se revelou com o tempo uma de minhas almas gêmeas mais autônomas (Que assim seja por séculos e séculos). O disco dele tem também Ivan Lins, Clara Sandroni, Marcos Sacramento, Rosanna Tavares, Serjão Loroza dentre outros, que interpretam músicas minhas, de Sérgio Natureza e Antônio Saraiva, num trabalho que realmente me impressiona por tudo que conjuga de criatividade melódica, precisão poética e coletivismo humano. É música brasileira arquitetada por um guitarrista nascido na Suíça, a bem da verdade, mas que sabe muito bem o que vem a ser o Rio de Janeiro, o português falado pelos brasileiros, e todas nossas nuances culturais.
“To Mingle and Mine” significa a realização de um um sonho que nunca abandonei nem mesmo no auge da solidão, quando mal sabia me expressar em alemão, e estava à cata dos meus semelhantes nessa Alemanha que poucas afinidades tem com o Brasil, e onde minha língua materna quase não me servia pra nada.
Depois veio a parceria com outro músico que gosto muito, por tudo que ele tem de introspectivo, de inclinação existencial: Fred Martins. Pra ele escrevi “Canção Antes da Chuva”, que ainda está inédita em disco, mas que nos promete grande felicidade.
"To Mingle and Mine" traz oito letras minhas escritas para Daniel Tochtermann. Tenho um tremendo orgulho do que fiz com esse cara, mas vai ver é a acetona de minha mãe que me sobe às ideias, e aquele brado do meu velho insurrecto, xingando os jurados comprometidos. Não sei o que seria de mim, não fosse essa rejeição deles à minha letra.
de 30 July 2010, 17:40 | 0 comentários
Urariano Mota
Atenção, amigos:
lancei nova página com textos e contextos que sobrevivem ao momento em que foram escritos. Nele há contos, crônicas, artigos e vídeos, de humor, drama e amor.
Está aqui http://urarianomota.word
de 26 June 2010, 18:49 | 0 comentários

Quando ontem a televisão anunciou a seleção de Dunga e vi a imagem de um guerreiro alto, altivo e talentoso, a minha memória deu um salto a gritar em silêncio: “viva, finalmente”. Ao ver Grafite entre os selecionados, lembrei e guardei alguns fatos, à espera dos jornais deste outro dia. No entanto, nada, nada nos jornais de hoje que recuperasse momentos essenciais na vida desse jogador.
Nos jornais dos novíssimos tempos a memória deixou os repórteres e migrou para os arquivos, que raro são buscados. Restaram repórteres sem história e sem desconfiômetro, que nem suspeitam de que os famosos não nasceram no momento da notícia. Por isso destacaram a declaração de Dunga, sem qualquer moldura ou explicação:
“Tem jogadores que jogam cinco minutos e aproveitam. Tem pessoas que têm inúmeras oportunidades e acham que sempre vão ter a próxima. Você não quer que o jogador chegue e arrebente, mas eu quero que, quando ele coloque aquela camisa, tenha uma postura de campeão, a mesma personalidade do clube. Ele fez isso”.
Os jornalistas do dia nem imaginaram que a personalidade de Grafite nasceu antes, quando vestia a camisa do São Paulo contra o Quilmes, equipe argentina, em 13 de abril de 2005. Naquela ocasião, ele denunciou o jogador Desábato (alguma notícia do bravo?) por crime de racismo. Em artigo para o site espanhol La Insignia, escrevi então no texto Grafite, o negro, http://www.lainsignia.org/2005/abril/soc_008.htm :
“Quando o jogador Grafite, da equipe do São Paulo, foi chamado de ‘negro de mierda’, de ‘mono negro’, os dirigentes do Quilmes, time argentino, nada viram nisso que merecesse uma denúncia policial. Qué pasa? ‘Si Grafite se va a ofender porque alguien le dice una grosería, entonces que vaya a jugar con las muñecas. No es para el fútbol’. E para esse espanto, para essa estranheza, compreendemos-lhes alguma razão. Ora, desde a Guerra do Paraguai, no século XIX, que argentinos chamavam às tropas brasileiras, fortalecidas por negros bons de morrer, então escravos, de ‘macaquitos’. A alcunha pegou, e mais voltava e volta nos conflitos, sempre que se desejava e deseja ressaltar as diferenças entre latinos miscigenados, negros, e os latinos menos misturados, os argentinos, que Jorge Luís Borges dizia serem os únicos europeus conhecidos em sua vida...
Para não ir muito longe, lembramos que em 1996, ao saber que a seleção de futebol argentina iria jogar contra a seleção do Brasil ou da Nigéria, assim anunciou os adversários o periódico Olé: ‘Que venham os macacos’. Ora, é natural. Negros, macacos, tudo a ver. Tão natural quanto primos pobres que se insultam, que não se reeducam nem na desgraça, nem mesmo quando a RAF lhes mostra que todos são macacos. Daí que compreendamos que chamar a um atleta negro, que leva o nome de Grafite, de negro de mierda, de negro hijo de puta, e temperar tais naturalidades com cuspidas em seu rosto, nada é demais, para alguns periodistas argentinos. E que completem, mui britanicamente, que faltou a um simples negro o low profile...
Que pasa? Então os negros deixaram de ser negros? Então deixaram de ser negros de merda, negros filhos de uma puta, monos, macaquitos, como sempre o foram há décadas? ‘Fueron expresiones que son comunes en un estadio cuando hay fricción e semejante nível de adrenalina’, explicou, pensou em justificar uma autoridade do governo argentino, o Ministro do Interior Aníbal Fernández...
Então por aqui terminamos. Mas não saio antes de te dizer, Grafite, que este artigo foi escrito com o coração apertado no espírito, para que do teclado brotassem apenas palavras isentas, ponderadas, serenas. No entanto compreenderás o quanto me segurei, se souberes que o tempo todo ouvia uma composição de Pixinguinha, o chorinho 1 x 0. O que em letras convencionais quer dizer: Um a zero fizeste para nós, Grafite. Que belo gol, homem, os negros de todo o mundo se levantam nos estádios”.
Agora, neste maio de 2010, com a sua convocação Grafite faz mais um gol. Belo será ver os africanos de pé saudando mais uma estrela. Dois a zero.
de 14 May 2010, 15:27 | 0 comentários
Urariano Mota
Esta é uma história que a vida nos entrega pronta. Muito contra a nossa vontade, é claro, mas o real nunca nos consulta sobre o que gostaríamos de comer. Acompanhem trechos da necessária reportagem de Ed Vanderley e Rafael Dias, publicada no Diário de Pernambuco da quarta-feira, 24.03.2010.
“No último dia 10 de janeiro, José Alex Soares da Silva, 19, e Diego Pereira Cruz, 18, pagaram o preço de terem sido confundidos com bandidos que tinham praticado um suposto assalto a um posto de gasolina. Eles voltavam de uma pelada num campo de várzea, por volta das 19h, em Petrolina, no Sertão. Ao pararem para abastecer a moto no posto Paizão, na BR-428, foram acusados pela proprietária do posto Umburuçu, que fica próximo, de serem os autores do assalto, ocorrido minutos antes. Sem a mínima chance de alegarem defesa, foram brutalmente espancados por seguranças e motoristas que haviam sido vítimas dos bandidos no posto anterior. José Alex morreu três dias depois no Hospital de Traumas de Petrolina em virtude das fortes agressões. Diego sobreviveu, mas com marcas no corpo e na alma...
No Hospital de Traumas de Petrolina, onde Diego foi atendido e Alex passou três dias internado, houve mais terror. ‘Os policiais me ameaçavam dizendo que eu tinha uma hora para começar a falar", contou Diego. "Me levaram a uma área chamada de pantanal, tiraram minhas roupas, colocaram um saco na minha cabeça e me bateram, me mandando mudar de história’, disse.
Na delegacia, as agressões teriam continuado e incluíam a simulação de afogamento em um vaso sanitário”.
E perdoem por favor a frase óbvia a seguir. Nos limites da democracia brasileira, não existem mais torturados políticos. E dizer isso não é dizer pouco, quando temos na memória e na retina o que foi o Brasil da república Médici. Mas a verdade manda dizer que continuam a ser torturados os de sempre, desde o passado colonial. Ganhamos hoje, com a democracia, o território livre da denúncia, na medida do possível, quando não falamos mal do anunciante. Ganhamos também a ocasião de levar à justiça os crimes de sempre. Mas, mas, mais: o quanto isso ainda é pouco. Acompanhem, na reportagem citada:
“O delegado que concluiu os dois inquéritos de assalto, Erlon Cícero, defende que qualquer outro colega teria autuado os jovens em flagrante. ‘Três ou quatro pessoas que se dizem vítimas afirmam que não tiraram os olhos dos suspeitos e que os assaltantes são aqueles que estão na sua frente. Chega outra suposta vítima dizendo que também foi assaltada por ele. Como você iria fugir e não lavrar o flagrante?’, justifica. Sobre as denúncias de espancamento que Diego Cruz teria sofrido, por volta das 3h do dia seguinte ao crime, o delegado é categórico: ‘Não vi nem ouvi nenhum movimento anormal durante o plantão’ ”.
Comecemos pelo fim: o que seria um movimento anormal em uma delegacia de polícia? Porradas, afogamentos, brutalização que animais rejeitam? Não, isso é comum. Seriam então, mais precisamente, gritos e uivos em silêncio? Queremos dizer, gritos e uivos que não impressionam a sensibilidade em torno? Não, isso ainda é mais comum. Podemos então imaginar que anormal seria tudo aquilo que os olhos, os ouvidos e a sensível pele da autoridade, e com ela toda a gente, não percebem ou dizem não perceber. E com isso o fato objetivo - a dor e a humilhação de presos – ganha o foro de fato subjetivo. O que em bom português quer dizer: o que os olhos não querem ver, o coração não sente. Ou melhor: o que antes já foi rejeitado pelo coração, os olhos não veem.
A civilização brasileira tem um histórico de tortura, normal, que vem de homens tornados bestas, desde a escravidão. Daí que as notícias reclamam mais a circunstância de os dois rapazes não serem marginais que a própria tortura e morte sofrida. Daí que num ato falho, num flagrante da nossa humanidade, se diga que o preso foi torturado e morto injustamente. Daí a relevância com que o caso sobe à notícia. Se se tratasse de ladrões, traficantes ou assemelhados, ah, bom, comeriam formiga por justiça histórica e civilizada.
Nos comentários da notícia, em novo ato falho, houve quem dissesse que as vítimas estavam no lugar errado, na hora errada. Que azar, não é? Mas se olhamos bem, enxergamos o contrário. Mais próprio seria dizer que eles eram as pessoas certas, na hora certa e no lugar certo. As vítimas José Alex Soares da Silva e Diego Pereira Cruz acumulavam todas as coincidências de marginais no Brasil: eram jovens e pobres. E, fator máximo de crime, negros. Por que não seriam eles os ladrões? Numa infeliz coincidência, traziam juntos idade, pele e renda do pedigree de sua raça. E um cão danado, sabe-se, todos a ele.
de 25 March 2010, 19:41 | 0 comentários
Felipe Tadeu
Acho que as pessoas gostaram mesmo. Para mim foi emocionante: primeiro porque o tema da estreia do ciclo de palestras sobre os grandes nomes da música do Brasil foi Milton Nascimento. Segundo porque eu estava cercado de gente competente, como os alemães Mirien Carvalho (tradutora), Daniel Tochtermann (guitarrista) e Jan Beiling (saxofonista). Fizemos, dessa vez em quarteto, aquilo que volta e meia pratico desde o dia em que escutei Bituca cantando “Fé Cega, Faca Amolada” (Milton & Ronaldo Bastos), nos idos de 1975. Oferenda.
O Consulado Brasileiro de Frankfurt abriu suas portas na noite de 26 de fevereiro para que pudéssemos praticar a cidadania de uma forma pelo menos tão sublime quanto votar para presidente. Recebendo-nos com carinho e espontânea motivação, toda a equipe dirigida pelo Embaixador Cézar Amaral contribuiu substancialmente para que o evento fosse o sucesso que foi. A noite promovida pelo CCBF, o Centro Cultural Brasileiro em Frankfurt, atraiu cerca de 80 espectadores para a nossa palestra bilíngue (português-alemão), que contou ainda com um set de música ao vivo e a exibição em dvd de um show memorável de Milton Nascimento ao lado de Wagner Tiso, num filme produzido para a televisão suíça.
Os 75 minutos que previ para explanar sobre esse artista magnífico, que começou sua carreira já aos 13 anos, foram, claro, insuficientes. Ainda que tenha me concentrado na fase que considero a mais luminosa de Bituca, cobrindo o período que vai de seu nascimento em 1942 até 1980, havia realmente muito para contar. Levando-se em consideração também que a tradução para o alemão era feita consecutivamente (eu falava dois minutos e parava, para que Mirien vertesse o discurso com eficiência), dá para se ter ideia do grau de objetividade que tivemos que seguir, deixando muitos fatos significativos da vida de Milton Nascimento fora da pauta.
Quando apresentei a Susanne Lipkau o projeto da série de palestras, tínhamos ciência da urgência de um evento como esse. A meta é despertar o interesse dos alemães e dos não-brasileiros da Alemanha para que conheçam melhor a música que se faz no Brasil desde os tempos de Pixinguinha (ele, que é ícone do choro e um dos fundadores do samba), proporcionando também aos brasileiros radicados na Alemanha um reencontro com a sua música - esse biotônico fontoura que tanto nos revitaliza como identidade nacional. Pois para mim é certo: se a música é a atividade mais elevada da espécie humana, então o Brasil tem mesmo do que se orgulhar, e carece de revelar ao mundo inteiro o que ele é capaz de fazer com o cavaquinho e o escambau. Afinal, temos mesmo que honrar o legado cultural que nos deram índios, africanos e portugueses, como quem protege a biodiversidade da fauna e da flora que conhecemos da terra Brasil. Até porque somos uma peculiar síntese do mundo.
A história de Milton Nascimento é a história de um Brasil que continua dando certo: o da música. Ainda que haja tanta bijuteria barata sendo vendida por aí, como se não passássemos de uma republiqueta sertaneja que cultua rodeios como esplendor civilizatório, vale lembrar que estamos aqui interessados em outros folguedos. Pois somos mesmo é do clã do Djavan, de Adoniran Barbosa, de Jacob do Bandolim, de Rita Lee e Luiz Gonzaga, bem como de Egberto Gismonti, Céu, Luiz Melodia, Cartola, Tom Jobim e Alceu Valença.
Agora estamos em fase de preparação da segunda palestra. Dessa vez o tema é

Sim, o Buarque de Hollanda. No dia 23 de abril vamos nos reunir de novo, alemães, brasileiros, latinos e escandinavos, africanos e asiáticos, na sala de eventos do Consulado de Frankfurt, todos participando da celebração a um dos maiores artistas do nosso século. O grande compositor e cantor, o autor teatral, o romancista, o eterno democrata Chico Buarque.
A entrada é franca. Paratodos.
de 17 March 2010, 19:54 | 1 comentários
michael kegler
me apanharam …
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… no hotel das correntes d'escritas de 2010, onde não tive tempo de escrever nada.
http://blogtailors.blogspot.com/2010/02/correntes-descritas-after-hours.html
de 10 March 2010, 16:49 | 0 comentários
»A inveja é o mais secreto dos sete pecados mortais. O escritor brasileiro Zuenir Ventura investigou o pecado que ninguém assume, compara-o com um cancro e vem explicá-lo, na conversa com Carlos Vaz Marques, numa altura em que é reeditado em Portugal o livro «Inveja – Mal Secreto».
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=1479108>http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=1479108

Zuenir Ventura
Inveja - Mal Secreto
Objetiva, Brasil 1998
Editora Planeta, Portugal 2010
de 09 March 2010, 08:46 | 0 comentários
»O poder obtém-se por três vias: pelo dinheiro, pela inteligência ou pela beleza.«
Dulce Maria Cardoso em entrevista a Carlos Vaz Marques, na TSF
http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=917512&audio_id=1480319
de 09 March 2010, 08:08 | 0 comentários


