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Mia Couto:
O Último Voo do Flamingo
228 páginas
Editorial Caminho
DM 32,50
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Tizangara, primeiros anos
do pós-guerra. Nesta vila tudo parecia correr bem. Os capacetes azuis
já haviam chegado para vigiarem o processo de paz, e o dia-a-dia da
população corria numa aparente normalidade. Mas por razões
que quase todos desconheciam, esses mesmos capacetes azuis começaram,
de súbito, a explodir. Massimo Risi, o soldado italiano das
Nações Unidas destacado para investigar estas estranhas
explosões, chega a Tizangara. Colocam-lhe um tradutor à
disposição, e é através do relato deste que tomamos
conhecimento dos factos. Entramos num mundo de vivos e de mortos, de realidade
e de fantasia, de feitiços e de sobrenatural. A verdade e a
ficção passam por nós em personagens densamente
construídas, de que o feiticeiro Andorinho, a prostituta Ana Deusqueira,
o padre Muhando, o administrador Estêvão Jonas e a sua mulher
Ermelinda, a velha-moça Temporina, o velho Sulplício, são
apenas alguns exemplos... O mistério adensa-se. Os soldados da paz
morreram ou foram mortos? Com toda a sabedoria da velha África, Mia
Couto revela-nos, uma vez mais - na ironia, no sentido de humor, no
espírito crítico, na palavra cáustica e no comentário
acerado, no recurso à metáfora e na carga cheia de simbolismo
da frase -, o seu absoluto domínio da escrita e da língua
portuguesas, o conhecimento e o amor profundos que tem e dedica a esse
belíssimo e atormentado continente, neste magnífico e novo
romance, O Último Voo do Flamingo.
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