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Rui Zink:
Os surfistas


Edições Dom Quixote
268 páginas,

DM 25,80



O livro. A pátria. O bairro. Má fortuna, constança, amor ardente. A internet. Nova Iorque. Um manuscrito. Pedro e Inês. O Adamastor. Canto nono. O sucesso. O insucesso. Homem ao mar. O livro. O Afeganistão. Toda a verdade. A esfera do mundo. O concílio dos deuses. A ilha dos amores. A pátria. A propriedade. O livro. Homem ao Mar.

»Os Surfistas é um livro cheio de humor em que algumas passagens e temas podem surgir como assustadoramente proféticas. Mérito que pode ser atribuído ao autor, mas também ao poder do inconsciente colectivo dos co-escritores e dos e-leitores, bem como à perversa tendência que a realidade tem para imitar a ficção«.

Até aqui os elogios oficiais da editora, mas para dizer a verdade, senti muita pena de não ter lido o livro enquanto projecto na internet, interferir, comentar e influenciar o rumo da ficção. Pelo menos teria assim conquistado um lugar nos créditos nas últimas páginas.

O primeiro e-book literário português funcionou um pouco como o teatro espontâneo, onde os actores têm que seguir as indicações do público. Um processo semi-democrático, pois é óbvio que o bom actor mantém sempre o controle do jogo, desfarçando as suas próprias ideias de indicações alheias.

Por isso, também »Os Surfistas« resultou em algo bem melhor do que uma simples brincadeira de ocasião. É divertido, sim, ver o personagem principal a boiar numa prancha de surf, segurando desesperadamente um CD-Rom, recordando infância, adolescência e uma louca viagem do bairro natal ao mundo lá fora. Ma já quase assustador é, como a narração pouco a pouco navega para um triângulo Lisboa – Nova York – Afeganistão, os principais focos da atenção pública de alguns meses depois (com exepção de Lisboa). Profecia da comunidade internetiana? Bem, algumas das revelações do livro ainda não foram descobertas na realidade, n'alguns aspectos os acontecimentos já plagiaram as invenções absurdas(?) do ciberespaço português. 

Agradavelmente surpreendente é ver toda essa brincadeira se transformar em romance – como alguns dos grandes romances da literatura mundial, que tiveram a sua primeira edição em forma de folhetim.

»Os Surfistas«, em sua forma encadernada e final é um romance cheio de humor, alusões e viradas surpreendentes, devido às indicações do público, anárquico sim, mas sem compromissos na narração das relações humanas, suas reviravoltas emocionais, seus detalhes maliciosos. E tão anárquico que seja, o jogo do internauta com as categorias da verdade, das realidades ocultas, da probabilidade do impossível, da instabilidade da história, é sério e excelente para quem o sabe decifrar. Mesmo ao acaso das ondas, a virtude fundamental do bom surfista é o equilíbrio, quanto mais ousado, melhor. Uma especialidade de Rui Zink, que já em »Apocalipse Nau« e »O Suplente« soube provar, que o seu humor não tem nada a ver com palhaçadas gratuitas e a qualquer preço, mas sim com a grande qualidade da ironia em sua função literária. (mk)

e há mais na http://ebook.clix.pt!
Os Surfistas foi publicado na Internet entre 4 de Junho e 31 de Agosto de 2001, sob a forma de folhetim interactivo.(http://ebook.clix.pt) Aos leitores eram dadas várias opções no final de cada capítulo e o autor estava obrigado a seguir o resultado decidido. Várias dezenas de leitores foram mais longe e contribuíram para o resultado final com sugestões, frases, ideias, propostas de capítulos ou de soluções narrativas. Uma experiência inédita e pioneira que resultou no primeiro e-book literário português.

Rui Zink nasceu em Junho de 1961. Escritor e professor auxiliar na FCSH-UNL, a sua escrita estende-se pela ficção, o ensaio e o teatro. É autor de várias traduções e alguns dos seus livros foram traduzidos para alemão. Da sua obra destacamo os romances »Hotel Lusitano«, »Apocalipse Nau« e »O Suplente«; os livros de contos »A Realidade Agora a Cores« e »Homens-Aranhas« e, a novela »A Espera«. »Os Surfistas«, é o seu mais recente romance.
Mais informações e o conto »O bicho da escrita« aqui, na nova cultura:

Manuel João Ramos nasceu em Maio de 1960. É ilustrador e produtor de bandas desenhadas (Major Alverca, com Rui Zink). É professor de antropologia do ISCTE. Escreve sobre mitologia cristã (Ensaios de Mitologia Cristã, 1997). Tem realizado investigação etnográfica no norte da Etiópia (Histórias Etíopes, 2000).
É membro da direcção da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados. Não tem automóvel.


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